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ADÃO RIBEIRO
Paranavaí teve aumento na média de casos de violência registrados na Delegacia de Mulher no primeiro trimestre de 2019. As agressões contra mulheres atingiram 301 ocorrências de janeiro a março, ou seja, ultrapassou a média de 100 ao mês. 
Confirmando a tendência para os doze meses, será o terceiro crescimento seguido. Em 2017, a Delegacia da Mulher contabilizou 895 casos de violência contra mulheres, média mensal de 74,5 ocorrências. Naquele período fora 133 prisões em flagrante de autores de violência.
A situação se agravou em 2018. A Delegacia da Mulher contabilizou 1.050 boletins de ocorrência no ano passado, média de 87,5 registros por mês, culminando em 135 prisões.
Embora a média do primeiro trimestre de 2019 seja preocupante, está abaixo do violento mês de dezembro do ano passado, quando foram totalizadas 125 denúncias. Nos períodos de 2015 e 2016 a média ficou em cerca de 500 registros ao ano.
Esses dados podem revelar duas situações: o aumento real da violência ou a mudança de atitude, com mais vítimas formalizando denúncias, a partir da estruturação da Delegacia da Mulher de Paranavaí, na metade do ano de 2016. A delegacia paranavaiense engloba também as cidades de Amaporã e Nova Aliança. 
COMO AGIR – O primeiro passo a ser seguido pela mulher em situação de violência é procurar a Delegacia de Polícia, para noticiar o fato mediante boletim de ocorrência. 
Em seguida, será formalizado o pedido de medidas protetivas de urgência, explicou recentemente à reportagem do Diário do Noroeste a delegada Fernanda Bertoco Mello, titular da Delegacia da Mulher. 
Conforme as orientações da delegada, “em situações de flagrante delito, o ideal é acionar a Polícia Militar, para que o autor da violência seja conduzido à Delegacia de Polícia”. Assim, será feita a prisão em flagrante.
Mulheres em situação de violência e mesmo testemunhas também podem utilizar outros canais para fazerem denúncias. Uma das opções é ligar para o número 180, sendo possível noticiar o fato de maneira anônima.
CANAIS DE APOIO – A delegada da Mulher de Paranavaí informou que as vítimas são orientadas e passam a receber os cuidados da rede de proteção. Trata-se de uma série de órgãos públicos e entidades que oferecem apoio às mulheres que sofrem violência doméstica.
O Núcleo Maria da Penha (Numap) integra a rede de proteção. É um grupo formado por professores e acadêmicos da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Paranavaí, e profissionais de diferentes segmentos.
O Numape oferece orientações e serviços gratuitos nas áreas de assistência social e psicologia, além de atendimentos jurídicos. Os trabalhos tiveram início em janeiro de 2018 e são realizados no próprio campus da Unespar. 
NO PAÍS 
O Brasil é o quinto país com mais casos de violência doméstica em todo o mundo. A cada dois minutos, cinco mulheres são brutalmente agredidas. A cada duas horas, uma é assassinada.
De acordo com dados do então Ministério dos Direitos Humanos, em 2017 foram registradas 2.749 tentativas de feminicídio (termo que designa o assassinato de mulheres em razão do gênero). No ano seguinte, o número subiu para 5.635.

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