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Organizada de Paranavaí no sentido de reunir consumidores de eletricidade numa entidade e tentar viabilizar uma usina de energia fotovoltaica na cidade deu mais um passo. Reunidos da tarde desta segunda-feira (08) no Sindicato Rural de Paranavaí, representantes de indústrias e de entidades como a Igreja Católica e a Santa Casa de Paranavaí decidiram a necessidade de realizar estudos a fim de verificar qual o melhor modelo de cooperativa a ser adotado para a produção e distribuição de energia solar e qual o custo de implantação da usina. Representante do Ministério Público, que incentiva alternativas de produção de energia, também esteve presente. Técnicos em cooperativismo e em energia fotovoltaica participaram da reunião.
Na abertura da reunião, o produtor rural Demerval Silvestre, um dos coordenadores da Sociedade Civil, anunciou que a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), em atenção a uma reivindicação das lideranças locais, apresentada ainda no ano passado, vai melhorar, no prazo de 120 dias, em 30% o fornecimento de energia elétrica para a cidade.
Esta melhoria vem minimizar um dos graves problemas que as grandes indústrias de Paranavaí e do entorno da cidade vêm enfrentando com as constantes oscilações na rede de distribuição, provocando paralisação de produção e danos em equipamentos eletrônicos.
Em razão do problema, as lideranças vinham reivindicando a instalação de uma segunda subestação de 138 KV em Paranavaí. No mesmo comunicado em que anuncia a melhoria em 120 dias, a Copel informa também que, em dois anos, serão instaladas duas subestações na cidade de 138 KV cada.
COOPERATIVA, MELHOR OPÇÃO – Uma das propostas do encontro desta segunda-feira era definir qual a melhor forma de o grupo se associar para o empreendimento. Depois do consultor em cooperativismo Alessandro Arraes Rodrigues explicar as vantagens da modalidade, a maioria decidiu por este sistema. O advogado Gilmar Zolin, especialista na área, ficou encarregado de apontar o melhor modelo de cooperativa para atender os interesses do grupo e para a instalação de usina fotovoltaica.
Uma das preocupações com o sistema cooperativo é que é que neste modelo a usina não pode ultrapassar a 5 MW. E somente na reunião as empresas e organizações representadas totalizavam uma necessidade de cerca de 20 MW. A alternativa é constituir mais de uma cooperativa.
Para ver a real necessidade de energia, o porte da usina para atender a demanda e qual seria o montante financeiro necessário, a engenheira eletricista Débora Wiese, da Inteligência Solar, solicitou que todos encaminhassem cópias de uma fatura da Copel para poder fazer um pré-projeto de viabilidade econômica de geração de energia fotovoltaica para atender o objetivo. Nesta terça-feira (09), menos de 24 horas após a reunião, cinco empresas já haviam mandado cópia da fatura.
Presidente do Sindicato Rural de Paranavaí e também um dos coordenadores da Sociedade Civil, Ivo Pierin Júnior, enfatizou durante o encontro a necessidade de o setor produtivo buscar fontes alternativas de energia. Citou que, no momento, o Brasil já está importando energia elétrica. E caso se concretize a retomada do desenvolvimento econômico como é esperado, haverá necessidade de mais energia. Esta demanda poderá provocar aumento de preço da tarifa.
Pierin lembrou que países da Europa estão incentivando o setor garantido a compra da energia a 28 cents de euro e vendendo entre 24 a 25 cents. Para as indústrias, é comercializada a menos de 6 cents. Muitos países da Europa já marcaram para 2022 o encerramento das atividades das termoelétricas e por isso estimulam alternativas.
Na reunião, os presentes lembraram que atualmente a energia elétrica tem um grande peso na atividade industrial. Em alguns casos, o custo da energia elétrica é superior ao valor da folha de pagamento.
Além disso é preciso buscar opções para se livrar das surpresas do atual sistema, cujo preço pode variar, de um mês para outro, apenas com a mudança na chamada bandeira tarifária.
Outra informação divulgada pela engenheira Débora Wiese é de que a Resolução Normativa 482, de 2012, da Agência Nacional de Energia Elétrica, que regulamenta a geração e distribuição de energia tem validade apenas até o dia 31 de dezembro deste ano. “Vai haver mudanças, mas ninguém sabe ainda que tipo de mudanças. Por enquanto são só comentários”, disse ela.

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