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REINALDO SILVA
Ela já não pode vestir roupas curtas e justas, precisa se afastar de amigos, abandona o trabalho externo, deve ficar dentro de casa. Sofre chantagens, recebe xingamentos, vê as tentativas de diminuir a autoestima, ouve ameaças de agressão física. Depois, vêm um empurrão, um tapa, um chute e tantas outras manifestações de violência.
Em Paranavaí, a média de boletins de ocorrência feitos na Delegacia da Mulher é de 119 por mês. Essas pessoas em situação de violência são encaminhadas para o Núcleo Maria da Penha (Numape), na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), que oferece acolhimento e assistência psicológica, social e jurídica gratuitamente.
A equipe é formada por profissionais e estudantes de diferentes áreas de atuação. Os trabalhos tiveram início em 2018 e, desde então, foram realizados 763 atendimentos jurídicos, 544 psicológicos, 604 de assistência social. Os resultados: 33 ações ajuizadas, 28 pensões alimentícias, 21 audiências, 15 medidas cautelares, 11 divisões de guardas, 10 divórcios e seis partilhas de bens.
De acordo com a coordenadora do Numape, Maria Inez Barboza Marques, a comparação ao número de boletins de ocorrência pode indicar que o número de atendimentos é pequeno. Mas é preciso considerar que “todas as assistidas têm acompanhamento profissional” e “atendimento qualificado das três áreas que compõem o Núcleo”.
A psicóloga Bruna Ricordi Nascimento explica que cada mulher que busca os serviços do Numape passa por uma triagem, fornece dados pessoais e informações sobre o autor da violência. Depois, são feitas avaliações psicossociais para identificar as necessidades que a vítima apresenta. A partir daí, a equipe dá início às assistências necessárias.
VÍTIMAS – A maioria das mulheres em situação de violência atendidas pelo Numape tem Ensino Fundamental incompleto e trabalha como empregada doméstica. O maior percentual é de solteiras ou mulheres que não oficializaram a união matrimonial. Entre as atendidas desde 2018, 15% são moradoras do Jardim Simone II.
A psicóloga do Numape afirma que um dos primeiros efeitos da violência doméstica é a mulher não se reconhecer dentro da relação. “Ela fica refém do relacionamento, perde a autonomia e a autoestima.” Torna-se dependente emocional e financeiramente, o que dificulta o rompimento do vínculo.
CICLO DE VIOLÊNCIA – Bruna explicou que o ciclo de violência doméstica tem características recorrentes. Inclui privações, violência psicológica, agressão verbal e ataques físicos. Também pode ter questões patrimoniais envolvidas.
É comum que o autor da violência peça desculpas em determinado momento e se proponha a mudar. Mas em pouco tempo, volta a cometer todos os atos. E o ciclo se repete inúmeras vezes.
É necessário romper essa rotina. A mulher precisa perceber que está em um relacionamento abusivo e buscar ajuda, sem resistências aos serviços oferecidos pela rede de proteção. Ela precisa tomar para si o controle da própria vida e se libertar do ciclo de violência.
NUMAPE – Quem busca o apoio do Núcleo Maria da Penha tem a disposição uma equipe multidisciplinar que oferece serviços gratuitos para ajudar as mulheres a enfrentar a violência doméstica de maneira segura. 
O grupo iniciou, recentemente, um novo ciclo de trabalhos. Outros profissionais e estagiários passaram a integrar o grupo que, segundo a coordenadora Maria Inez Barboza Marques terá como um dos focos principais a prevenção.
O Numape atende na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Paranavaí, de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas. Todos os serviços prestados pela equipe são gratuitos. 
Integram o grupo Maria Inez Barboza Marques, coordenadora; Wanderson Lago Vaz e Silvia Marini, orientadores técnico-científicos; Bruna Ricordi Nascimento, psicóloga; Caroline Braga Belmont, advogada; Ana Leticia Soares Batista, assistente social; e Raysa Carolina Bicheri, Maisla Yara de Souza, Maria Eduarda Mariliano Machado, Alana Alves dos Reis Pim e Adriele de Souza da Silva, estagiárias.

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