História

ADÃO RIBEIRO

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O ano é 1989. O Brasil vive a reta final da primeira eleição direta para presidente da República em 29 anos (a última tinha sido a de Jânio Quadros em 1960). Um momento especial marcando o fim de uma ditadura militar que na prática durou 20 anos e foi encerrada com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, ou seja, pleito indireto em que votavam apenas deputados e senadores.

Paranavaí fez parte ativamente da campanha presidencial, tendo algumas de suas principais lideranças envolvidas no pleito. Com isso, a cidade garantiu o direito de receber um comício de Fernando Collor de Mello e de José Carlos Martinez (candidato a governador derrotado por Roberto Requião). Collor seria eleito em 17 de dezembro daquele ano, se tornando o 32º presidente da República Federativa do Brasil.

No palanque o tradicional abraço após discurso

O palco foi montado na Avenida Paraná, área central, e, mesmo num dia ensolarado de trabalho e à tarde, reuniu grande público (Fernando Collor venceu em Paranavaí). Era primavera. Uma das lideranças a discursar no palco foi o ex-prefeito José Vaz de Carvalho, como mostra o registro fotográfico do bancário João Carlos Antunes. Ele (Antunes) não votou em Collor, mas se recorda que havia muito entusiasmo do público. O certo é que Collor começou o seu discurso com o tradicional bordão “Minha gente”.

Collor com lideranças paranavaienses

CANDIDATOS – A eleição de 1989 teve 22 candidatos, entre eles, o folclórico Marronzinho e o médico Enéas Carneiro, do PRONA, derrotado nas urnas para presidente, mas criador de um movimento que elegeu grandes bancadas na Câmara e assembleias estaduais.

Fernando Collor foi para o segundo turno daquele pleito com o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, saindo vitorioso com 53,03% dos votos. Assumiu em 20 de março de 1990 pregando uma ampla reforma liberal, mas logo caiu em descrédito por escândalos de corrupção, alta inflacionária e crise de desemprego.

O ápice da sua impopularidade e que antecedeu a queda via impeachment (renunciou pró-forma pouco antes da votação), viria na sequência. O Plano Collor, anunciado em 16 de março de 1990, confiscou a poupança dos brasileiros, limitando a retirada a R$ 50 mil cruzados novos e a promessa de liberação posterior com pagamento de juros de 6% ao ano.

O ato presidencial, capitaneado pela ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello (sem parentesco com o presidente), teve larga repercussão e fez algumas vítimas.

EXPERIÊNCIA – Um paranavaiense que pediu para não ser identificado, contou a sua história para o DN. Disse que na época optou por vender um sítio de propriedade da família e aplicar na Poupança, onde renderia mais. Deu o mesmo destino para um veículo seminovo.

Dias depois, no entanto, recebeu a notícia do confisco. Ficou desorientado e sem nenhum dinheiro no bolso. O confisco, detalha, afetou suas finanças de forma irremediável, com repercussão até os dias atuais.

Com denúncia de corrupção em vários setores do Governo, Fernando Collor não resiste à impopularidade e cai dia 30 de novembro de 1992, perdendo os direitos políticos por oito anos.

O ex-presidente Collor em manifestação no Senado

Neste movimento político que acaba no afastamento de Collor e na ascensão do vice Itamar Franco, Paranavaí também teve participação. Lideranças estaduais, professores, servidores públicos e muitos outros voluntários chegaram a fazer passeata a favor do impeachment, pouco antes da votação. O protesto dos chamados caras pintadas percorreu as ruas centrais. Era noite (e eu estava lá).

Collor cumpriu a sua quarentena forçada e voltando à cena política em 2006, eleito senador pelo Estado de Alagoas, cargo que ocupa até o presente, reeleito em 2015. Em 2018 ensaiou disputar a Presidência pelo PTC, mas, o partido desistiu da candidatura própria.

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