Cotidiano

Considerando o cenário nacional, houve aumento de 140% dessa população no período de 2012 a março de 2020, segundo levantamento do Ipea

Colchões e cobertores estão distribuídos nas calçadas. Há peças de roupas, calçados e embalagens de isopor utilizadas para refeições. Ali dormem homens e mulheres que, por definição, são considerados pessoas em situação de rua: um grupo populacional que vive em condição de extrema pobreza, com vínculos familiares rompidos ou fragilizados e sem moradia convencional regular e sustento. O cenário na Rua Salgado Filho, em Paranavaí, também pode ser visto em outros pontos da cidade e se replica por todo o país.

Só em 2020, a Prefeitura de Paranavaí atendeu e monitorou aproximadamente 30 pessoas em situação de rua. As políticas de assistência voltadas a esse público incluem ações imediatas e programas de encaminhamento para tratamentos terapêuticos, concessão de benefícios continuados, articulação com serviços municipais, entrega de cobertores e de produtos de higiene pessoal e de limpeza e orientações, com escuta social e triagem especializada.

Coordenadora municipal da Proteção Social Especial, Jézica Buniotti explica que a demanda é flutuante. De julho a dezembro, por exemplo, há circulação de pessoas que passam por Paranavaí e solicitam passagens para outros estados, por exemplo, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Para os casos permanentes, a maioria dos indivíduos se concentra no terminal rodoviário, em alguns semáforos ou praças públicas, residências abandonadas e lugares públicos. “Todos recebem a oferta de serviço e acompanhamento especializado.”

Além dos atendimentos realizados pela equipe durante o horário de expediente do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), é possível contatar os profissionais por ligação telefônica, no horário de plantão da Abordagem Social, que atua em conjunto com os serviços de saúde e segurança pública, informa Jézica Buniotti. Segundo ela, o grupo atende, em média, 25 pessoas em situação de rua por mês em Paranavaí.

A Administração Municipal não dispõe de abrigo específico para esse público, mas, visando a minimizar a situação, a Secretaria de Assistência Social concede passagens rodoviárias e articula o atendimento em diferentes setores da esfera pública, a partir da articulação com as demais políticas. Em Paranavaí, através do mapeamento e do acompanhamento, os profissionais do Creas conhecem as principais demandas e perceberam que na maioria dos casos “há dependência em substâncias psicoativas e etílicas”, aponta a coordenadora da Proteção Social Especial.

Covid-19 – Jézica Buniotti relata que além dos serviços contínuos, a Secretaria de Assistência Social tem um projeto específico que disponibiliza banheiros para higienização durante a pandemia de Covid-19, que exige cuidados específicos para reduzir os riscos de contágio. Tem como público-alvo as pessoas em situação de rua, com oferta de produtos de higiene pessoal e máscaras descartáveis de proteção facial.

O plano de contingência prevê o acolhimento provisório de pessoas com suspeita ou caso confirmado de Covid-19. Segundo a coordenadora da Proteção Social Especial, desde o início da pandemia, em março de 2020, esse serviço foi necessário apenas duas vezes: pessoas em situação de rua que positivaram para coronavírus e precisaram ficar isoladas para evitar a transmissão viral.

Com a chegada do período mais frio, são feitas rondas e abordagens em locais específicos. A equipe técnica entrega itens pessoais, por exemplo, cobertores, e promove a articulação com a sociedade civil para garantir alimentação. “Nos dias mais frios há um local disponibilizado pela Assistência Social para a pernoite”, informa Jézica Buniotti.

No Brasil – Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o número de indivíduos em situação de rua no Brasil aumento 140% entre 2012 e 2020, chegando a uma população de quase 222 mil pessoas. A Política Nacional para População em Situação de Rua aponta que vivem em áreas degradadas de forma temporária ou permanente ou utilizam unidades de acolhimento para pernoite.

Como ajudar – Quando identificar um indivíduo em situação de rua, é possível entrar em contato com a equipe do Creas, para que os profissionais sigam até o local, faça a identificação e o cadastro, podendo, então, fazer os encaminhamentos e tomar as providências necessárias, ensina a coordenadora da Proteção Social Especial.

Serviço – O Creas de Paranavaí fica na Rua Manoel Ribas, 135, no Jardim Progresso. O contato com a equipe pode ser feito pelo telefone (44) 3902-1017 ou pelo celular de plantão (44) 991565064, além da Secretaria de Assistência Social, pelos números (44) 3422-1198 e 3422-1162.

Equipe – Jézica Buniotti destaca que os serviços são resultados de uma construção coletiva e faz questão de citar os nomes dos profissionais que os articulam em Paranavaí: Francilene Cordeiro, coordenadora do Creas; Mara Bernadelli, assistente social do Serviço Especializado em Abordagem Social; e Wagner Liones, educador social do Serviço Especializado em Abordagem Social.

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