Economia

JOANA CUNHA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O movimento de doações para o combate à pandemia, que estacionou em outubro em torno dos R$ 6,5 bilhões e retomou algum fôlego neste ano, deve ultrapassar a marca de R$ 7 bilhões nos próximos dias, conforme o monitor da ABCR, associação de captação de recursos que vem acompanhando os números desde a chegada do vírus ao Brasil.
Márcia Woods, presidente da ABCR, aponta duas razões para a desaceleração na curva de crescimento dos recursos: 1) a explosão de doações no começo da pandemia foi uma resposta urgente para ajudar o sistema de saúde, com investimentos pesados de bancos e grandes companhias em infraestrutura, equipamentos, respiradores, testes e outros. 2) O novo ciclo envolve mais assistência social, com cifras inferiores.
“Tem muita gente doando cesta básica, que tem tíquete médio mais baixo. São R$ 50, mas é muito pouco, não alimenta uma família por um mês. É alívio momentâneo. A grande discussão que precisamos ter é o sobre o nosso Suas (Sistema Único de Assistência Social) da mesma forma que olhamos para o SUS”, diz Woods.
Paula Fabieni, presidente do Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), diz que o movimento de doações abriu o ano de 2021 muito tímido, mas ela vê consistência para um novo crescimento. Em 2020, 85% do montante partiu de empresas, que continuam se engajando em atividades para o enfrentamento da pandemia, mas não necessariamente doações, como apoio logístico para vacina, diz Fabiani.
“As empresas perceberam como é importante ter uma sociedade civil forte, porque eles dependem da democracia. E a democracia depende de uma sociedade com voz ativa, portanto, é importante esse apoio para ter um ambiente saudável para os negócios”, diz Fabiani.

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