Saúde

A Ala Covid da Santa Casa de Paranavaí amanheceu nesta segunda-feira (31) com 14 pacientes internados, mais que o triplo de duas semanas atrás. No dia 9, Dia dos Pais, eram apenas quatro pacientes. “Os casos começaram a baixar, a população ficou mais à vontade, aumentou o contato social e os casos de internamento começaram a recrudescer”, aponta o diretor técnico do hospital, o cirurgião Jorge Pelisson. No domingo, quatro pacientes receberam alta.

Na manhã desta segunda, entre os internados, estavam um recém-nascido e sua mãe, que testou positivo para a Covid. Ambos estão numa área isolada. E pela manhã chegou um paciente, que foi a óbito dez minutos após a internação. Dos 14 internados, a metade está na UTI e três deles intubados. Apenas um paciente é da região de Umuarama, os demais são da região da 14ª Regional de saúde, sendo sete de Paranavaí.

Pelisson avalia que boa parte da população “começou a retomar a vida” com uma forte tendência para a aglomeração. “Mas é preciso cuidado. Parece que está vindo aí uma segunda onda”, adverte ele.

Para o diretor técnico da Santa Casa, a população precisa entender que, ainda que haja uma estabilidade dos casos ou até uma queda, o índice é muito alto. “No Brasil o número de óbitos aparentemente estabilizou, mas em índices elevados. É preciso continuar com todos os cuidados para evitar a transmissão do vírus”, avisa ele.

DIA DOS PAIS – A médica responsável pela Ala Covid da Santa Casa, a infectologista Gislaine Erédia Araújo, concorda que houve um relaxamento da população em relação aos cuidados para evitar a contaminação. “Parece que não tem mais Covid”, diz ela.

Cita como exemplo os finais de semana na cidade de Porto Rico, as margens do Rio Paraná, que atrai turistas de toda a região. Lá, bares e lanchonetes estão seguindo todos os protocolos de biossegurança. Mas muitos estão usando as lanchas, encostam nas margens do lado do Mato Grosso do Sul e desrespeitam práticas de uso de máscara, por exemplo.

“Em Paranavaí, neste fim de semana, as ruas e avenidas estavam cheias de gente. E muita gente sem máscara”, alerta ela, que atribui o aumento no número de internações também ao Dia dos Pais. “Entre o período da infeção até a fase inflamatória, quando aparecem os sintomas temos aí alguns dias e batem certinho com o crescimento no índice de internações”. diz. Além disso, lembra a especialista, na semana seguinte o frio aumentou muito, ajudando a baixar a resistência.

Gislaine diz perceber que há um certo “cansaço” da população em relação as medidas de segurança. Mas lembra que elas são essenciais. “Temos que retomar aquelas medidas básicas, de distanciamento social, uso de máscaras, higiene permanente das mãos. Acho que o pior já passou. Agora que estamos próximos do fim não podemos relaxar”, finaliza a infectologista.

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