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O papel da enfermagem em unidades de saúde ganhou ainda mais destaque desde que começou a pandemia da Covid-19. São auxiliares, técnicos e enfermeiros que formam o maior grupo que está na linha de frente no atendimento às vítimas do coronavírus.

Por se tratar de uma doença contagiosa, os pacientes ficam isolados e não podem receber visitas durante o internamento, ainda que não seja na UTI e a equipe de enfermagem passa a ser a única companhia deles neste período. “A enfermeira é a cuidadora do paciente. Mas nestes tempos de pandemia, é a cuidadora e a família do paciente”, atesta a infectologista Gislaine Erédia Araújo, médica responsável pela Ala Covid da Santa Casa de Paranavaí.

O comentário foi feito nesta terça-feira (11), véspera do Dia da Enfermagem. Nesta quarta-feira (12), auxiliares de enfermagem, técnicos e enfermeiras padrão (com curso superior) comemoram o seu dia.

“O pessoal da enfermagem cuida do paciente, dá os medicamentos, dá banho e apoio psicológico. Vira irmão e irmã do paciente, pai e mãe e, às vezes, filho ou filha. É a pessoa que está mais próxima do paciente”, acrescenta a médica.

Por isso, diz Gislaine, além do preparo técnico, os profissionais têm que estar em organizado e equilibrado emocionalmente para enfrentar sua rotina de trabalho. É uma opção profissional que exige sacrifício. “Quando digo que o pessoal da enfermagem vira a família do paciente, não podemos nos esquecer que, muitas vezes, eles deixam sua própria família para se dedicar aos pacientes. Um bom exemplo aconteceu no domingo, Dia das Mães. Quantas mães, que são enfermeiras, estavam aqui trabalhando, longe de seus filhos e das próprias mães? É uma categoria admirável”, aponta ela.

ALMA DO HOSPITAL – Médico-chefe da UTI Geral e da UTI Covid, o intensivista Bruno Leal compartilha da mesma opinião de sua colega. Para ele, os técnicos, auxiliares e enfermeiros “são nossos satélites, nossos olhos, são os farejadores. Geralmente são as primeiras pessoas que detectam os pacientes que estão mais graves ou que entram em intercorrência, como detectam uma parada (cardíaca), detectam quem está pior, quem a gente precisa olhar primeiro. São eles quem têm o maior contato com o paciente”.

Leal diz que vê estes profissionais “com bastante afinidade. A gente (médicos) acha que é uma classe que deveria ser muito melhor valorizada, remunerada, porque eles são realmente a alma do hospital”.

Manifestando gratidão aos enfermeiros e enfermeiras, o médico diz que estes profissionais “são fantásticos”. “Os Médicos – isso é uma lei, sempre falo isso com estudantes – nunca trabalha para ser o mandante de forma unilateral. É um trabalho de equipe. A enfermeira não trabalha para o médico, é uma via de mão dupla, é uma simbiose de forças, trabalho de equipe: um constrói o outro. A gente sempre fala: para um serviço dar certo, começa-se pela enfermagem. Não adianta ter um médico todo titulado com uma enfermagem despreparada, desmotivada e não treinada, aí não vai dar certo. Para eles, só agradecimentos. Aqui na UTI só tenho gratidão por eles”, finaliza.

Maior grupo de servidores do hospital, a equipe de enfermagem também tem o respeito e a gratidão da administração da Santa Casa. “Todos são importantes aqui. Mas nesta data quero me dirigir especialmente a esta classe para manifestar o meu reconhecimento, especialmente agora com a pandemia”, diz o diretor-geral administrativo, Héracles Alencar Arrais.

Ele lembra que “o pessoal que está na linha de frente tem, como nós todos, medo da doença, de ficar exposta a ela. Mas o medo e a insegurança são infinitamente menores que a disposição, a coragem e a determinação destes profissionais que escolheram salvar vidas”, arremata ele.

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