Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:

“FICA QUIETO, MENINO!”

O alerta que a ciência faz sobre limitar a voz das crianças

Especialista analisa como silenciar ou desqualificar a comunicação infantil pode comprometer autoestima, expressividade e competências sociais na vida adulta

Silenciar, corrigir em excesso ou menosprezar a comunicação de uma criança pode parecer inofensivo, mas especialistas alertam: esse padrão pode gerar impactos profundos e duradouros. Segundo a Dra. Cristiane Romano, fonoaudióloga, doutora em expressividade e especialista em comunicação estratégica, a infância é o período em que as bases emocionais e comunicativas são construídas — e bloqueá-las pode comprometer habilidades essenciais para o futuro.

“Frases como ‘fica quieto’, ‘não fala besteira’, ‘isso não é assunto para criança’ transmitem à criança a ideia de que sua voz não tem valor. Esse padrão mina a autoestima, enfraquece a capacidade de argumentação e cria adultos inseguros para se expressar em diferentes contextos”, explica a especialista.

Dados que preocupam – Um relatório da UNICEF (2023) destaca que crianças que crescem em ambientes pouco acolhedores para a comunicação apresentam maior risco de desenvolver dificuldades emocionais, problemas de socialização e baixa autoconfiança. Segundo o estudo, cerca de 43% das crianças entrevistadas em 21 países relataram sentir que suas opiniões não eram levadas em conta em casa.

A fonoaudióloga Cristiane Romano

Além disso, uma pesquisa publicada na revista científica Child Development aponta que a parentalidade autoritária — caracterizada por rigidez e pouco espaço para o diálogo — está associada a uma redução das habilidades socioemocionais e da capacidade de resolução de conflitos na vida adulta.

Por que dar voz importa? De acordo com a Dra. Cristiane Romano, incentivar a expressão infantil não significa perder o controle parental, mas sim construir um ambiente onde a criança desenvolva segurança emocional para dialogar, expressar sentimentos e defender ideias.

“Quando a criança aprende que pode falar sem medo, ela cresce entendendo que sua voz importa. Isso reflete diretamente na construção da assertividade, uma habilidade fundamental para relações pessoais e profissionais”, explica.

Riscos a longo prazo – O bloqueio da comunicação na infância pode resultar em adultos com dificuldade de se posicionar, medo de falar em público, baixa performance em entrevistas de emprego e até limitações em funções de liderança. Dados da Harvard Business Review mostram que profissionais que apresentam baixa competência comunicativa têm menos chances de promoção e são mais propensos a enfrentar barreiras de crescimento na carreira.

Como fortalecer a comunicação infantil? A Dra. Cristiane Romano sugere caminhos práticos para famílias interessadas em promover uma comunicação saudável com os filhos:

•           Criar espaço para o diálogo: reservar momentos do dia para escutar a criança com atenção genuína.

•           Validar sentimentos: reconhecer emoções e opiniões, mesmo que sejam simples ou imaturas.

•           Evitar interrupções: permitir que a criança conclua suas ideias antes de corrigir ou dar respostas.

•           Usar perguntas abertas: estimular a criança a refletir e desenvolver argumentos.

•           Modelar a expressividade: os adultos também devem mostrar abertura e transparência ao se comunicar.

“Escutar uma criança é mais do que uma questão de paciência. É uma escolha estratégica para formar adultos capazes de comunicar, negociar, construir pontes e ocupar espaços de influência”, conclui a Dra. Cristiane Romano.

Compartilhe: