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Foto: Ivan Fuquini

CIDADANIA

Numape de Paranavaí oferece assistência gratuita a mulheres vítimas de violência

Núcleo Maria da Penha é um projeto de extensão da Universidade Estadual do Paraná que em 2024 ganhou status de programa, com caráter permanente

REINALDO SILVA

Da Redação

Mantida em cárcere privado pelo marido, a mulher sofria violência física e sexual. Não podia ter contato com o mundo externo, nem sequer com a própria mãe. Um dia, conseguiu escapar e procurou a Delegacia da Mulher de Paranavaí. O boletim de ocorrência levou ao processo judicial, ainda em andamento, e ela passou a ser acompanhada pela equipe do Núcleo Maria da Penha (Numape), da Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

Esse talvez tenha sido o caso mais emblemático, marcante, chocante entre os atendimentos feitos em 2025 dentro do Numape, mas não é uma situação isolada. Diariamente o grupo multidisciplinar recebe mulheres em situação de violência, faz orientações e encaminhamentos e presta serviços jurídicos, psicológicos e de assistência social, tudo gratuitamente.

O Numape é um projeto de extensão universitária e funciona em mais de 10 municípios paranaenses. Em Paranavaí, é coordenado pela professora Keila Pinna Valensuela, que explicou: pode haver procura espontânea ou indicação da rede de proteção à mulher. Em 2024, ganhou status de programa, a partir de então com caráter permanente.

Keila Pinna Valensuela apontou os cinco tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha
Foto: Ivan Fuquini

Os atendimentos são garantidos a mulheres acima de 18 anos de idade, com renda mensal de até três salários mínimos e moradoras dos municípios da Comarca de Paranavaí, que inclui Amaporã, Nova Aliança do Ivaí e Tamboara, além dos distritos.

Atualmente, a equipe do Numape contabiliza 503 processos judiciais ativos, sendo a maioria – 470 – na Vara Criminal. As advogadas do núcleo participam de todas as audiências ao lado das mulheres.

A coordenadora falou da importância de levar informações e conscientizar a população sobre a violência contra a população feminina, cada vez mais frequente. Por isso, apontou os tipos listados na Lei Maria da Penha:

  • Física: empurrar, chutar, amarrar, bater, violentar;
  • Psicológica: humilhar, insultar, isolar, perseguir, ameaçar;
  • Moral: caluniar, injuriar, difamar;
  • Sexual: pressionar a fazer sexo, exigir práticas sem consentimento, negar o direito ao uso de contraceptivo; e
  • Patrimonial: reter dinheiro, destruir ou ocultar bens e objetos pessoais, não deixar que trabalhe.

A violência física é a mais comumente denunciada, mas a psicológica é mais frequente, pois permeia todas as outras. “A mulher se afasta dos familiares e dos amigos; o companheiro tem controle sobre as relações externas. Ela pensa que não tem saída, que não é capaz, que é feia, que é louca, que é gorda demais ou magra demais. Tudo isso deixa marcas”, afirmou a professora Keila Pinna Valensuela.

Para a assistente social do Numape, Soleide da Silva Matiazo, a sensação diante de relatos de violência contra mulheres é de revolta, de impotência. “Mas, ao mesmo tempo, estamos fazendo algo, orientando, dando caminhos para sair desse ciclo.”

Soleide da Silva Matizado falou da importância de orientar as mulheres e mostrar alternativas
Foto: Ivan Fuquini

E por falar em ciclo de violência, a coordenadora do núcleo destacou motivos que dificultam a interrupção das práticas agressivas. “Elas estão fragilizadas emocionalmente e financeiramente. Não têm como se manter, não têm formação profissional, não têm estudo, não têm rede de apoio, então acabam voltando à convivência com o autor da violência.”

Nesse sentido, uma das pautas do Numape e alvo de cobranças junto ao poder público é a instalação, em Paranavaí, de uma casa de acolhimento que garanta a segurança das mulheres violentadas. Da mesma forma, a equipe tenta fazer valer a condição de prioridade na matrícula dos filhos em escolas e na colocação no mercado de trabalho.

Independentemente das limitações da rede de proteção, a orientação é denunciar qualquer tipo de violência. “Procure ajuda”, enfatizou a professora Keila Pinna Valensuela. O Numape funciona de segunda a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h às 17h, no Bloco A da Unespar de Paranavaí, sala 17.

Parte da equipe do Numape, grupo que atua em diferentes áreas em favor das mulheres
Foto: Ivan Fuquini

São canais de contato o WhatsApp (44) 99882-9739, o e-mail numape.paranavai@unespar.edu.br e as páginas no Instagram (@numape.paranavai) e no Facebook (facebook.com/numape.unespar.3).

Fazem parte do Numape de Paranavaí: Keila Pinna Valensuela, coordenadora; Wanderson Lago Vaz, orientador técnico da equipe de Direito; Soleide da Silva Matiazo, assistente social; Isadora da Silva Lacerda e Izabela Fernanda Rodrigues Oliveira Belo Evangelista, estagiárias de Serviço Social; Caroline Watanabe Furuzawa e Jéssica Cardoso, advogadas; e Mariana Ferreira de Almeida e Mariana Queiroz Ribeiro, estagiária de Direito.

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