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Foto: Ivan Fuquini

LUDOPATIA

Em Paranavaí, especialista reforça preocupação com aumento da dependência em tecnologia e jogos de aposta virtuais

Na última quarta-feira, o coordenador do Centro Estadual de Políticas sobre Drogas, Renato Bastos Figueiroa, esteve em Paranavaí e ministrou palestra sobre o tema

REINALDO SILVA

Da Redação

O visual colorido e os traços infantis fazem parecer brincadeira divertida, mas os jogos de aposta on-line são assunto sério, tanto quanto o uso indiscriminado das novas tecnologias. Nos dois casos, o consumo excessivo pode causar dependência e ter consequências físicas, emocionais, financeiras e sociais. Na noite de quarta-feira (26), o coordenador do Centro Estadual de Políticas sobre Drogas do Paraná (CEPSD), Renato Bastos Figueiroa, esteve em Paranavaí e ministrou palestra sobre o tema.

Renato Bastos Figueiroa: “A pessoa que se torna dependente precisa procurar ajuda”
Foto: Ivan Fuquini

O evento foi organizado pelo Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas (Comud) e reuniu representantes de diversos órgãos e entidades de Paranavaí. Também participaram lideranças políticas e comunitárias.

Figueiroa é bacharel em Direito, pós-graduado em Direito Constitucional e especialista em Segurança Pública. Atua como delegado de polícia e exerce a função de vice-presidente do Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas. Em 2021 e 2022, foi conselheiro titular do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas.

Ele viajou a Paranavaí a convite do Comud para falar da campanha “Junho Paraná sem Drogas”, que traz como abordagem central “Jogos e dependências tecnológicas: o novo desafio da prevenção”.

A inclusão da adicção em jogos e tecnologias na campanha de combate às drogas está baseada no entendimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) que equipara dependências sem substâncias à dependência química, “uma vez que trazem os mesmos impactos negativos”, apontou Figueiroa.

“Muitas famílias acabam perdendo todos os recursos, muitas famílias se endividam, muitos indivíduos acabam gastando a mais com a ilusão e com o sonho de ganhar dinheiro. Mas como isso é uma ilusão e não existe mágica, não existe magia nesse caso em especial, a nossa função é alertar as pessoas de que isso é muito ruim na vida delas”, disse o coordenador do CEPSD.

A preocupação é que o ingresso no círculo vicioso dos jogos de aposta seja um caminho sem volta. “A pessoa perde. Perdendo, acha que vai recuperar. E cada vez mais ela vai perder. Não existe milagre nessa causa. A casa de apostas sempre vai ser a vencedora.”

Evento reuniu representantes de diversos órgãos e entidades, além de lideranças políticas e comunitárias
Foto: Ivan Fuquini

A avaliação de Figueiroa é que as ferramentas eletrônicas facilitaram a prática. “Está na mão de todo mundo. Basta clicar, e rapidamente tem acesso a isso. E como tudo é pelo CPF, eles [os sites e os aplicativos de jogos de aposta] acompanham quanto você ganhou e quanto a casa pode perder. Aí, a ordem se inverte, e a casa começa a ganhar. Obviamente, você já está viciado no jogo e não admite perder, e sempre com esta ideia: ‘agora vou ganhar’. Vira um buraco negro.”

Para além dos problemas financeiros, ou em razão da situação, estudos sinalizam que a dependência em jogos de aposta está diretamente ligada a casos de depressão, com impactos negativos no ambiente familiar, provocando separação, divórcio, e no ambiente profissional. Quadro mais graves podem levar ao suicídio.

“A pessoa que se torna dependente precisa procurar ajuda. Entra, então, outro objetivo da campanha [Junho Paraná sem Drogas] que é informar onde procurar ajuda em nível de governo – no Caps [Centro de Atendimento Psicossocial] e nas unidades básicas de saúde. Também existem grupos de ajuda. No Paraná, existe um grupo chamado Jogadores Anônimos, que trabalha da mesma forma que o AA [Alcoólicos Anônimos].”

O presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas, Airton de Melo Gonçalves, reforçou a intenção de promover a conscientização a respeito da chamada ludopatia. Esse termo, de maneira resumida, é utilizado para designar a incapacidade de resistir ao impulso de jogar, mesmo diante das consequências negativas.

Airton de Melo Gonçalves: “Nossa função é alertar as pessoas de que isso é muito”
Foto: Ivan Fuquini

“Nossa função é alertar as pessoas de que isso é muito ruim na vida delas e que precisam ter consciência de não jogar. Se for jogar, que seja com consciência. Não envolva a família, não envolva os recursos do salário, porque realmente não tem como ganhar dinheiro nisso. Não existe mágica.”

A secretária de Assistência Social de Paranavaí, Letícia Leziane, destacou que a ludopatia e a dependência em tecnologias não afetam somente jovens e adultos, mas também idosos. O deputado estadual Leônidas Fávero Neto alertou para os efeitos em médio e longo prazo tanto biologicamente como na construção das relações sociais. O presidente da Câmara de Vereadores, Carlos Augusto Pereira de Lima, enfatizou: “Quando aprisiona, requer atenção”. O prefeito Mauricio Gehlen acrescentou: “A discussão deve ser de todos. Sabemos que não é tarefa fácil, mas não podemos desistir”.

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