“Areia Branca do Tucum – Conflitos Agrários no Extremo Noroeste do Paraná: Marilena, Nova Londrina, Loanda e São Pedro do Paraná (Porto São José)”. Esse é o título do novo livro do professor Maurílio Rompatto, do Colegiado de História da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Campus Paranavaí. O lançamento ocorreu no Porto São José, em evento no dia 21 de novembro. Lideranças, estudantes e professores prestigiaram a apresentação da obra.
Nesse livro, Rompatto analisa os conflitos agrários no âmbito do território pesquisado. Abrangente, a obra trata da grilagem de terras, da formação dos latifúndios e do processo de exclusão dos pequenos produtos rurais.
Como define o professor, o trabalho investiga como grupos poderosos, com apoio do Estado, atuaram para expulsar posseiros e agricultores. Obra densa com 440 páginas, Areia Branca do Tucum passa ainda pelo impacto da ditadura militar iniciada em 1964 e chega ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na organização dos assentamentos na região entre as décadas de 1980 e 1990.
Na Unespar
Além do lançamento feito no Porto São José, o professor também apresentou a obra na Unespar em Paranavaí, como parte das comemorações de 60 anos do campus. A reunião foi na biblioteca da universidade na noite de quinta-feira (27) e proporcionou um debate sobre a obra e suas possiblidades na disseminação do conhecimento sobre o Noroeste paranaense.
Vice-diretor do campus e respondendo pela direção, o professor Elias de Souza Júnior prestigiou a apresentação do livro. Ele agradeceu o empenho de Rompatto e falou da importância da produção científica na universidade para os desafios futuros, entre eles, a implantação de cursos de doutorado.

Disponível
Para adquirir o livro “Areia Branca do Tucum”, o interessado pode comprar diretamente com o autor pelo valor integral de R$ 100,00, acrescido do reembolso da taxa dos Correios (quando houver envio). Alternativamente, o livro pode ser adquirido diretamente da editora, pelo valor de R$ 128,00, acrescido do frete, por meio do endereço eletrônico (https://share.google/8tA9c0NbaDAbUyZ0m).
Veja a entrevista com Maurílio Rompatto.

Diário do Noroeste – Quanto tempo durou a elaboração do livro (da ideia até a edição)?
Maurílio Rompatto – A pesquisa vem desde 1998 quando foi implantado o projeto memória, um projeto de pesquisa de história oral. A elaboração do livro em torno do tema “Areia Branca do Tucum” durou quatro anos, de junho de 2021 a maio de 2025.
DN – Qual a maior dificuldade encontrada para levantar uma história relativamente recente, mas quase já sem fontes que participaram dessa fase?
Rompatto – A dificuldade é enorme. A maioria das pessoas que vivenciaram os conflitos agrários não se encontram mais entre nós e os poucos que restam ainda têm receio de abordar o tema em virtude do clima de violência que tomou conta do lugar Areia Branca do Tucum.
DN – Houve resistências?
Rompatto – Sim, houve. Teve pessoas que ao abordarem o tema preferiram ficar no anonimato.
DN – Tem polêmicas históricas no livro? Há versões conflitantes em relação ao conhecimento estabelecido?
Rompatto – É preciso considerar que a história do Noroeste do Paraná tem sido tradicionalmente narrada a partir da compreensão que o próprio colonizador possui do processo de colonização da região. Qualquer tentativa de recontar esse processo a partir de outras perspectivas, torna-se polêmica — um verdadeiro choque de realidade.
DN – Defina geograficamente e o significado de “Areia Branca do Tucum”.
Rompatto – A origem do nome vem supostamente de uma sesmaria demarcada no final do século XVIII, quando a região pertencia ao Brasil Colônia e fazia parte da freguesia de Nossa Senhora da Luz de Curitiba. Sua área original estaria entre os rios Tigre e Areia Branca do Tucum na confluência do rio Paranapanema com o rio Paraná, onde se encontram os referidos municípios.
DN – Qual a importância de pesquisar a história da região?
Rompatto – É extremamente importante tendo em vista que, com o tempo, a memória oral sobre o fato se apaga e outras memórias tomam seu lugar causando a amnésia coletiva sobre os conflitos que tomaram conta do processo de colonização da região.




