Janeiro chega com a promessa de recomeço, mas, para muitas famílias, o primeiro mês do ano também traz um velho conhecido: o aperto financeiro. IPTU, IPVA, material escolar e outras despesas típicas do período se acumulam justamente quando o orçamento ainda se recupera das festas de fim de ano.
O resultado é um cenário recorrente. Dados do SPC Brasil indicam que mais de 83% dos inadimplentes registrados em novembro de 2025 eram reincidentes — pessoas que já haviam se endividado nos 12 meses anteriores. Para o especialista em finanças pessoais Breno Nogueira, o problema não está apenas no valor das contas, mas na falta de organização ao longo do ano.
Breno reuniu 5 dicas para atravessar o começo do ano com mais controle financeiro e reduzir o risco de endividamento ao longo dos meses.
1. Faça um diagnóstico financeiro antes de pagar as contas
Antes de decidir como quitar impostos ou compras escolares, Breno recomenda parar e analisar a situação financeira como um todo. Isso inclui revisar faturas do cartão de crédito, conferir saldos bancários e listar todas as despesas previstas para janeiro e fevereiro.
“Sem saber quanto do dinheiro já está comprometido, a pessoa acaba tomando decisões no impulso. Organização financeira começa com clareza”, explica.
2. Trate impostos como gastos previsíveis
Para o influenciador, IPTU e IPVA não devem ser encarados como imprevistos. Por ocorrerem todos os anos, esses gastos precisam entrar no planejamento financeiro com antecedência.
“Quem se organiza e faz um provisionamento mensal chega no início do ano com esse valor separado. O problema é deixar para pensar nisso só quando o boleto chega. Para quem conseguiu guardar parte do 13º salário, esse recurso pode ser uma saída para cobrir as despesas”, afirma.
3. Pagar no débito ou crédito?
Não existe uma única resposta — a escolha depende do perfil financeiro de cada pessoa.
Mas para Breno Nogueira, o uso excessivo do cartão de crédito no dia a dia cria uma falsa sensação de renda maior do que a real. Quando a maior parte das despesas fica concentrada no crédito, o salário passa a ter uma única função: pagar a fatura do mês anterior. “É assim que muita gente entra em um ciclo em que nada sobra e o cartão vira a solução automática para fechar o mês”, afirma.
Segundo o especialista, priorizar o uso do débito ajuda a tornar os gastos mais visíveis e a ajustar o ritmo de consumo em tempo real. Diferentemente do crédito, em que as despesas só aparecem semanas depois, o débito mostra o impacto imediato no saldo.
“Quando o dinheiro acaba na hora, a pessoa recalibra o comportamento. O crédito adia essa percepção — e é aí que o descontrole começa”, completa.
4. Registre todos os gastos, mesmo os pequenos
Outra recomendação é acompanhar de perto as despesas do dia a dia. Pode parecer simples, mas muitos ainda não sabem exatamente para onde o dinheiro está indo ao longo do mês. Anotar gastos rotineiros — como alimentação, transporte e compras rápidas — ajuda a dar visibilidade ao orçamento e evita surpresas na fatura ou no saldo bancário.
“Não é sobre cortar tudo, é sobre saber exatamente onde o dinheiro está sendo gasto. Quando a pessoa acompanha os números, passa a tomar decisões mais conscientes”, conclui Breno Nogueira.
Sobre
Breno Nogueira é especialista em finanças pessoais e fundador da Escola do Breno, iniciativa que ensina pessoas físicas a organizarem suas rendas e despesas, sair das dívidas e criar melhores hábitos financeiros.




