Cristiane Silva mora no jardim Videira, na região do São Jorge, em Paranavaí. Apenas uma rua sem pavimentação separa a casa dela do terreno utilizado para o descarte de resíduos sólidos. Sempre que abre a porta da cozinha, depara-se com o lixão a céu aberto.
Na tarde desta segunda-feira (26), ela identificou sinais de fumaça vindos dali. Imediatamente, entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e solicitou intervenção. A equipe chegou pouco depois das 15h30 e atuou até quase 17h para conter as chamas.
Assim que a água encontrou o fogo, a fumaça tóxica ganhou tons escuros e se espalhou rapidamente pelos arredores e alcançaram a residência de Cristiane Silva, que alimentava os filhos – o menino com quatro anos e a menina com um ano e quatro meses – naquele momento.

Foto: Ivan Fuquini
Enquanto os bombeiros trabalhavam para conter o incêndio, a moradora recebeu o Diário do Noroeste e resumiu a situação com a qual convive há anos. “É muito triste.”
Além do desconforto provocado pela fumaça, inclusive com riscos à saúde, o calor das chamas faz com que animais peçonhentos fujam em direção às casas. Recentemente, o filho dela encontrou um escorpião amarelo na porta de casa. Segundo Cristiane, até uma cobra coral teria sido capturada por um vizinho.
Contenção das chamas
Água para resfriar, terra para abafar. Assim a equipe do Corpo de Bombeiros e o apoio enviado pela prefeitura conseguiram conter as chamas na tarde desta segunda-feira.
Os bombeiros foram os primeiros a chegar. Prepararam os equipamentos rapidamente e iniciaram as medidas para apagar o incêndio, utilizando mil litros de água. Uma retroescavadeira enviada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura chegou logo em seguida para isolar a área atingida e espalhar terra sobre o fogo.
De acordo com a equipe do Corpo de Bombeiros, não há possibilidade de combustão espontânea, o que indica ação humana. Porém os moradores não souberam apontar quem seria responsável.
Solução
O secretário de Meio Ambiente de Paranavaí, Alessandro Cordeiro Garcia, informou que o descarte de lixo no terreno do jardim Videira é proibido. Conforme determinação do Ministério Público, o espaço para essa finalidade fica na Vila Operária, o chamado buracão, próximo à Escola Municipal Ayrton Senna da Silva (Caic).
Apesar dessa possibilidade, há restrições. São permitidos apenas resíduos da construção civil (entulho e madeira) e resíduos verdes (poda e jardinagem). Lixos orgânico, reciclável, industrial e hospitalar não devem ser depositados no terreno da Vila Operária.
Como explicou o secretário, um ecoponto será instalado no Jardim Morumbi. O equipamento contará com estrutura adequada para receber diferentes tipos de resíduos de forma organizada. A partir de então, não deverá haver descarte em outros locais.
“Primeiro preciso operar o ecoponto no Morumbi, para depois ver a demanda e [se for necessário] abri um no jardim Videira.” Garcia disse esperar que a ordem de serviço seja assinada no dia 1º de fevereiro e que até o final do mês a estrutura esteja em funcionamento.
Apelo
Segundo o secretário de Meio Ambiente, a prefeitura fechou o terreno no jardim Videira e impediu o acesso, mas as barreiras foram derrubadas – uma, duas, três, várias vezes –, apesar dos esforços da Guarda Municipal em fiscalizar.
Diante da ocorrência do incêndio nesta segunda-feira, Garcia reforçou o apelo à população: “Não descartar lixo naquele local.” A administração municipal, os moradores do entorno e o meio ambiente agradecem.




