Felipe Narbona mora no jardim Oásis, em Paranavaí, e tem uma lanchonete no distrito de Mandiocaba. Até pouco tempo, o trajeto era percorrido em aproximadamente 15 minutos, mas o acesso pela BR-376 foi interditado, e o percurso alternativo, que passa pelo perímetro urbano, leva mais que o dobro.
O fechamento da rodovia Jacó Schulz foi necessário em razão dos estragos provocados pelas fortes chuvas que atingiram a região na primeira quinzena de dezembro do ano passado. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), dos dias 1º a 15, a precipitação acumulada em Paranavaí chegou a 325 milímetros.
O grande volume de água e a força da enxurrada danificaram a estrutura e arrastaram a pavimentação asfáltica, o que exigiu intervenção imediata da administração municipal. Desde então, a comunidade de Mandiocaba espera por respostas.
“Queremos um parecer”, cobrou o morador do distrito Fernando Marcos Pereira. “Saber o que vai ser feito”, complementou o empresário Maik Juliano Moretto. “Precisamos de uma solução definitiva”, acrescentou Felipe Narbona.

Foto: Ivan Fuquini
Os três contaram que com a interrupção do tráfego naquele trecho, é preciso cruzar a cratera a pé, caminhando sobre uma ponte improvisada com tábuas de madeira, por onde também passam bicicletas e motocicletas.
Já os condutores de carros e caminhões têm duas opções. A primeira é seguir pela BR-376 e entrar em uma estrada não pavimentada que leva ao distrito de Mandiocaba. A outra é desviar pelo distrito de Graciosa. Nos dois casos, a quilometragem e a duração da viagem são maiores.
O grupo que conversou com o Diário do Noroeste garantiu que os moradores pedem melhorias há muito tempo. A última obra importante de manutenção teria sido há mais de 10 anos.
Reconstrução
O secretário de Infraestrutura de Paranavaí, Renato Dultra, explicou que em razão da dimensão dos estragos será necessário reconstruir todo o trecho, a começar pela galeria de drenagem.
Até o episódio de dezembro de 2025, a tubulação tinha 80 centímetros de diâmetro, mas uma nova estrutura já foi instalada no local, agora com dois metros. Com maior capacidade para dar vazão ao volume de água, o risco de danos será menor.

Foto: Ivan Fuquini
Foi necessário desviar o curso da mina que passa abaixo da estrada e fazer a concretagem para apoiar os tubos. A expectativa é concluir esta etapa em até 45 dias. De acordo com o secretário, o investimento é de R$ 1 milhão.
O aterramento e a pavimentação virão na sequência, assim que a prefeitura tiver acesso à verba destinada ao município pela Defesa Civil do Paraná diante da situação de emergência – reconhecida pelos governos estadual e federal.
Dultra estimou que o trecho no distrito de Mandiocaba requeira entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões, mas preferiu não estabelecer prazos para início e conclusão da obra, afinal ainda há trâmites burocráticos para cumprir.

Foto: Arquivo DN
O projeto prevê a elevação do nível da estrada em pelo menos dois metros. Além de acomodar a nova tubulação da maneira correta, essa medida garantirá mais segurança no trânsito e maior durabilidade da pavimentação, que será de concreto e não de asfalto.
Estadualização
A rodovia Jacó Schulz é de responsabilidade da administração municipal. Em 2017, a prefeitura tentou estadualizar, ou seja, entregar o trecho aos cuidados do governo do estado, porém o processo não teve continuidade.
Conforme disseram os moradores do distrito de Mandiocaba, uma das exigências do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) seria a entrega da rodovia em bom estado de conservação, e essa não seria a situação naquela ocasião.




