O que está acontecendo com Paranavaí? A pergunta foi preferida pelo vereador Waldur Trentini durante a primeira sessão legislativa ordinária de 2026, na última segunda-feira (2). Ele se referiu à exclusão do município da lista de prioridades da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para a ampliação do número de leitos hospitalares na região Noroeste.
Para contextualizar o questionamento, o parlamentar paranavaiense citou uma entrevista concedida pelo secretário estadual de Saúde Beto Preto à RPC, ocasião em que garantiu que haverá investimentos em Loanda, Nova Esperança, Umuarama e Cianorte.
“Mas o secretário ainda confortou Paranavaí. Ele afirmou que Paranavaí pode ser atendido lá em Nova Esperança”, disse Trentini, em tom de ironia.
Ao reiterar a necessidade do pleno funcionamento da unidade Morumbi da Santa Casa, o vereador apontou diferentes casos de pacientes que aguardam na fila por intervenções cirúrgicas.
Entre os relatos reproduzidos por ele durante a sessão legislativa, destacou a história de uma pessoa com quadro “gravíssimo de ortopedia”. “Paciente encaminhado em 2023 para cirurgia urgente. Até agora, nada. Estamos em 2026.”
Trentini aproveitou a oportunidade para lembrar que logo que assumiu o mandato, em 1º de janeiro de 2025, cobrou mais leitos e melhor atendimento na Santa Casa de Paranavaí. No dia 2 de fevereiro do mesmo ano, reuniu-se com representantes do governo do estado em Foz do Iguaçu. “Cobramos novamente.” Mais adiante, em 19 de maio, foi a Curitiba e conversou sobre o tema com a equipe da Sesa. A resposta oficial ainda não veio.
Contrato – Em recente entrevista ao Diário do Noroeste, Beto Preto afirmou que é preciso rever o contrato do governo do estado com a Santa Casa de Paranavaí. Não detalhou quais pontos precisam ser alterados, mas somente a partir dessas mudanças será possível ampliar o repasse de verbas ao hospital.
De acordo com o diretor-geral da Santa Casa, Héracles Alencar Arrais, os custos para manter a estrutura subiram vertiginosamente desde a pandemia de Covid-19. Insumos ficaram mais caros durante a crise sanitária, porém não retrocederam posteriormente.
Ele explicou que o desequilíbrio financeiro impede que o hospital avance na abertura de leitos, sendo imprescindível o envio de mais recursos dos governos federal, estadual e municipais. A estimativa é que o acréscimo mensal deveria ser de R$ 3 milhões.
Requerimento – No Requerimento 5/2026, lido na Câmara de Vereadores na segunda-feira, Waldur Trentini requer que Legislativo e Executivo municipais se unam politicamente para cobrar respostas do governo do estado, da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, da Associação dos Municípios do Noroeste Paranaense e da 14ª Regional de Saúde de Paranavaí.
O documento pede “o indispensável agir para determinar o total e completo funcionamento da unidade de saúde Morumbi, tudo SUS [Sistema Único de Saúde], abertura de leitos, consultas e cirurgias, como é necessidade e desejo de toda a população”.
Desde a abertura do novo prédio, em 2022, a disponibilidade de leitos para atender à população está abaixo da capacidade máxima: apenas 40 são utilizados atualmente, mas a Unidade Morumbi conta com mais de 100.



