Vinte e seis acidentes. Quarenta e três pessoas feridas. Quatro mortes. Esse foi o saldo registrado pela Polícia Rodoviária Federal em 2025 no trecho da BR-376 entre Paranavaí e Nova Londrina. São 62,5 quilômetros de extensão no modelo de pista simples, contando apenas com terceiras faixas em alguns pontos do trajeto.
O inspetor-chefe da PRF no Noroeste do Paraná, Pedro Faria, classifica o quadro como preocupante e considera a duplicação como fator determinante para melhorar as condições de trafegabilidade.

Foto: Ivan Fuquini
A expectativa é que as obras comecem dentro de dois a três anos, conforme consta do contrato de concessão de rodovias federais assinado em outubro do ano passado. O processo é longo, pois depende de uma série de etapas técnicas e burocráticas, como a liberação de licenças ambientais, a elaboração do projeto executivo e as desapropriações.
A Agência Nacional de Transportes (ANTT) estima que o número de mortes por acidentes caia 0,79% após a duplicação.

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Mas o formato de pista simples não é o único fator de risco para quem trafega pela BR-376. De acordo com Faria, o comportamento dos condutores de veículos é determinante para garantir a segurança no trânsito – ou a falta dela.
O inspetor-chefe da PRF afirma que as ultrapassagens perigosas, mesmo em locais permitidos, estão entre as práticas mais letais, e as colisões decorrentes da imprudência respondem pela maioria das ocorrências graves. Um exemplo recente comprova a constatação: durante a Operação Ano Novo, de 30 de dezembro de 2025 a 4 de janeiro de 2026, esse tipo de acidente provocou 70% das mortes nas rodovias federais do Paraná.

Foto: Ivan Fuquini
Outras condutas inconsequentes geram preocupação, como extrapolar o limite máximo de velocidade. Isso reduz o tempo de reação em situações adversas e põe em risco a vida do próprio condutor, dos passageiros e de outras pessoas que trafegam pela rodovia.
E já que manter a concentração constante é essencial, o uso do telefone celular ao volante é terminantemente proibido. O desvio de atenção pode provocar a perda de controle da direção e a reação tardia em situações que exijam respostas rápidas. Conforme relatos de policiais rodoviários federais que fazem atendimentos em locais de acidentes, o dispositivo eletrônico é um dos grandes vilões dos tempos atuais.
A orientação do inspetor-chefe da PRF é: não mexa no celular em hipótese alguma, porém, se houver urgência, pare o carro no acostamento, em um lugar seguro, e faça a comunicação necessária.
Melhorias
A duplicação da BR-376 vai além dos investimentos financeiros. A obra é uma resposta à insegurança de quem trafega entre Paranavaí e Nova Londrina. A urgência fica evidente nas palavras do diretor da Sociedade Civil Organizada do Paraná (Socipar) Edilson Avelar, que também integra a diretoria da Associação dos Advogados do Noroeste do Paraná (Advog).
“A gente espera um trabalho que diminua os acidentes. A gente vai estar vigilante para detectar os pontos críticos da rodovia.” Segundo Avelar, também é preciso acelerar o processo de atendimento às vítimas de acidentes e, consequentemente, a liberação da pista para o trânsito.

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O diagnóstico da PRF indica três locais com maior incidência de acidentes nesse trecho da BR-376: o trevo de acesso a Guairaçá, a baixada do rio Tigre, no perímetro de Nova Londrina, e o trevo que leva ao Porto São José, também em Nova Londrina.
Tomando como exemplo a extensão rodoviária em Guairaçá, Avelar cita um relatório da PRF com números de 2017 a janeiro de 2026. Foram 29 acidentes, sendo 12 considerados graves. Nesse recorte, 28 pessoas ficaram feridas, 12 delas com gravidade, e 17 morreram.
Pedágio
A nova de concessão rodoviária prevê a instalação de um ponto de pedágio justamente em Guairaçá. A princípio, mesmo com a aplicação da tarifa, não havia previsão de duplicação, mas uma mobilização política resultou na inclusão o investimento no contrato.
A despeito das cláusulas legais, a cobrança preocupa o presidente da Associação dos Municípios do Noroeste Paranaense (Amunpar), Fabiano Travain, prefeito de Mirador. “Vamos marcar uma reunião para saber sobre a praça de pedágio em Guairaçá, que vai afetar bastante a região Noroeste.”

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Ele coloca em debate o sistema free flow, um modelo de cobrança sem cancelas, que permite a passagem livre dos veículos por pórtico. O processo de pagamento é feito automaticamente por dispositivos eletrônicos como tags e aplicativos para telefones celulares.
O modelo tem gerado descontentamento entre autoridades e lideranças de todo o Paraná, e o objetivo de Travain é antecipar essa discussão. “Muitos municípios foram pegos de surpresa com essas instalações perto do perímetro urbano, prejudicando as populações que moram perto dessas praças de pedágio.”
No caso de Guairaçá, a cobrança deve começar dentro de um ano. A tarifa-base para era de R$ 17,41, mas com o desconto de 21,30% oferecido pela empresa concessionária, o valor cairá para R$ 13,70. Os motoristas que adquirirem a tag de pagamento eletrônico pagarão R$ 13,01. Os usuários frequentes, ou seja, aqueles que passam diariamente pelo ponto de cobrança, terão direito a mais um percentual de redução.
Carnaval
O inspetor-chefe da PRF chama a atenção para os cuidados ao viajar neste período de Carnaval. O primeiro passo é verificar as condições do veículo, conferir o estado dos pneus, os dispositivos de iluminação e sinalização, o freio, o para-brisa e assim por diante.
Além das precauções mencionadas anteriormente, Faria destaca que a PRF manterá fiscalização ostensiva nas rodovias paranaenses para identificar condutores alcoolizados. Para isso, fará uso dos etilômetros, popularmente conhecidos como bafômetros.
“Aqueles que eventualmente forem beber, não dirijam, porque poderão ser abordados. A multa para o condutor flagrado sob efeito de álcool chega a quase R$ 3 mil.” Além disso, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) fica suspensa por um ano, e, dependendo do nível de álcool no sangue, o motorista pode ser preso.



