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FRATERNIDADE

Moradia, Fé e políticos

Tirei esses dias de carnaval para escrever ao presidente Lula e aos senadores, deputados e vereadores sobre a Campanha da Fraternidade 2026, promovida pela CNBB, que começou no dia 18 de fevereiro, e traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A campanha visa conscientizar sobre a moradia digna como direito fundamental e combater o déficit habitacional no Brasil, propondo ações concretas e políticas públicas.

Sugeri ao presidente que participasse e convidasse os seus, incluindo os amigos bispos e frades para a reunião semanal. Poderiam até fazer via youtube para quem quiser participar. E nem precisa ser católico, podem até os ateus, basta ter boa vontade.

Eventualmente, a CNBB convida o Conic a participar de algumas campanhas da Fraternidade, o presidente poderia convidar pastores da Conic e das outras denominações cristãs e não cristãs. Afinal, quem busca a paz mundial, pode agir na paz interna também.

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) é uma associação fraterna de Igrejas que reconhecem Jesus Cristo como Deus e Salvador, conforme as Escrituras, participam: Igreja Católica Romana, Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia, Igreja Episcopal Anglicana (Comunhão Anglicana), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU) e Igreja Cristã Reformada.

E que o governo federal e os políticos lancem a maior campanha de construção e reformas de moradias. Para um tempo longo: dez anos. Está na hora de cumprir a Constituição e dar uma destinação patriótica para terras e moradias abandonadas: desapropriar, reformar e entregar a quem precise.

O foco da CF-2026 é enfrentar o déficit de moradias: (1) 6,2 milhões de famílias necessitam hoje de uma moradia, por estarem em habitação precária, em coabitação ou com aluguel excessivamente caro, (2) 26 milhões de famílias moram em situação imprópria (em áreas de risco, sem infraestrutura suficiente), e ainda (3) mais de 300 mil pessoas vivem na rua, número que cresceu expressivamente nos últimos dez anos. O teto é a porta de entrada para a dignidade.

Em tempos que a mesquinhez e o egoísmo turvam a mente de muita gente que considera o miserável preguiçoso e indigno de socorro, é preciso fazer dessa Quaresma um tempo de Conversão. É preciso resgatar o que Jerônimo registrou em Latim, “miseratio cardios” (misericórdia): ter coração para a miséria alheia. Inclusive, como fez Lobato com o caipira sem vontade de trabalhar e que virou tema de um medicamento.

A Igreja nos oferece diversos documentos para essa reflexão, como o Documento de Puebla (n. 338 e n. 1239), Evangelii Nuntiandi (n. 18-20), Sollicitudo Rei Socialis (n. 17) e a Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 110, “a penitência do Tempo Quaresmal não deve ser apenas interna e individual, mas também externa e social”).

Explicações bíblicas e seculares estão no Texto Base da CF-2026, baixe na internet e estude, são cem páginas para quebrar a Lógica do Pecado que se instalou em nossa sociedade, que afirma que a Palavra de Deus é coisa de comunista. *Mario Eugenio Saturno (fb. com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

Fonte: Mario Eugenio Saturno

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