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Mulheres são maioria entre as pessoas com ensino superior completo, representando 65% em 2024

CENÁRIO EM PARANAVAÍ

Desigualdade de gênero: é preciso ir além das homenagens no Dia Internacional da Mulher

Indicadores socioeconômicos de Paranavaí mostram que mulheres são maioria entre os trabalhadores com ensino superior, mas, mesmo assim, têm salário menor

Mensagens de exaltação, caixas de bombons, buquês de flores… As homenagens que marcam o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, disfarçam uma realidade cruel, manchada pela desigualdade de gênero e pela violência doméstica e familiar.

Em Paranavaí, como em todo o país, o cenário fica evidente a partir dos resultados de uma pesquisa socioeconômica desenvolvida pelo Sebrae/PR. As mulheres são maioria entre as pessoas com ensino superior completo. Na categoria formação presencial, na comparação com os homens, responderam por 63% em 2022, 65% em 2023 e o mesmo percentual em 2024.

Em contrapartida, a média salarial da população feminina nos três anos foi menor do que a do público masculino. Em 2022, eles receberam R$ 4.456,06 por mês e elas, R$ 4.160,64, diferença de 6,63%; em 2023, a renda mensal foi de R$ 3.016,91 entre os homens e de R$ 2.742,31, diferença de 9,10%; e em 2024, os salários foram R$ 3.012,92 e R$ 2.779,63, diferença de 4,74%.

A comparação é ainda mais preocupante quando a análise recai sobre o índice de ocupação no mercado de trabalho formal, tendo em vista as pessoas com formação superior em 2024. A pesquisa do Sebrae/PR mostra que as mulheres representam 98% na educação infantil, 81% em atividades administrativas, 80% em associações de defesa dos direitos sociais e 77% no atendimento hospitalar.

Só para detalhar um exemplo, no campo da contabilidade, ainda considerando 2024 e tomando como critério a conclusão da graduação, eles ocupavam 24 vagas de emprego com carteira assinada e elas, 78, ou seja, 76% do total.

A professora Maria Inez Barboza Marques é líder do Grupo de Pesquisa Gênero, Trabalho e Políticas Públicas da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Atua como docente no programa de pós–graduação interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento e no curso de Serviço Social.

Segundo ela, para entender os diferentes níveis de desigualdade é preciso levar em conta aspectos como a exploração da classe trabalhadora no interior do sistema capitalista e a persistência da opressão enraizada no patriarcado – assim chamado o modelo de sociedade em que os homens detêm o poder primário que relega privilégios e autoridade sobre mulheres e crianças.

“Mulheres negras, pobres e periféricas vivenciam de maneira mais intensa os efeitos dessas desigualdades estruturais. Historicamente situadas em posições mais  precarizadas no mercado de trabalho e com menor acesso a direitos sociais, muitas delas enfrentam simultaneamente a exploração econômica, o racismo estrutural e o sexismo”, aponta a professora.

Violência

Um problema leva a outro. Dentro do modelo patriarcal, as mulheres são percebidas como inferiores e passíveis de dominação. Tal premissa tem refl exos diretos no quesito segurança.

O Instituto de Pesquisas DataSenado revelou que em 2025 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar. O resultado do levantamento é revelador. Assustador. Em Paranavaí, os boletins de ocorrência registrados na Delegacia da Mulher estão divididos da seguinte forma, ano a ano: 1.032 em 2023, 1.244 em 2024, 1.091 em 2025 e 201 em 2026. A quantidade de feminicídios consumados também é motivo de alerta, totalizando cinco desde 2023.

O delegado Luciano Nendza Dias ressalta que o aumento dos números em Paranavaí tem relação direta com o trabalho preventivo e de orientação. “As mulheres estão denunciando mais. Contudo, o recado é que sejam cada vez mais denunciados formalmente os casos [de violência contra mulheres] e que as vítimas confiem nas instituições.”

Proteção

A presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), Soleide Matiazo, explica que a Rede de Atendimento e Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar tem se articulado para oferecer condições adequadas de acolhimento.

“Contamos com uma estrutura bem articulada, mas ainda podemos avançar nos aspectos de fortalecimento da rede e nas questões de equipamentos para situações mais complexas e emergenciais.”

Mas é preciso ir além. A presidenta do CMDM defende a consolidação de políticas públicas educacionais que resultem na sensibilização de meninos e homens para que “compreendam as relações de gênero e a masculinidade violenta e não se tornem futuros agressores”. E para os que já estiverem inseridos no contexto de violência, que repensem as relações e encerrem o ciclo de agressões.

Para a professora Maria Inez Barboza Marques, “reconhecer os marcadores sociais que atravessam a vida das mulheres é um passo fundamental para a construção de práticas sociais, políticas e educacionais comprometidas com a justiça social e com a efetivação dos direitos humanos das mulheres”.

Denúncias

O delegado da Mulher de Paranavaí indica os canais de comunicação para denunciar casos de violência contra mulheres. Por telefone, é possível ligar para 181 de forma anônima, para 190 em casos emergenciais e para 100, número de registro de violações de direitos humanos.

A Delegacia da Mulher atende de segunda a sexta-feira das 8h às 18h. Nos demais dias e horários, a orientação é acionar a 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí.

Fonte: Reinaldo Silva - da redação

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