Nas últimas décadas, o protagonismo feminino no meio rural está cada vez mais consolidado, conquistando espaço dentro e fora da porteira. Isso porque o número de produtoras rurais à frente do negócio cresce a cada safra. Do lado de fora, o sistema sindical rural conta com participação feminina expressiva, com destaque para a Comissão Estadual de Mulheres da Faep (CEMF), que tem realizado mobilizações por todos os cantos do Estado.
No Brasil, de acordo com levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Observatório das Mulheres Rurais do Brasil, as mulheres representam 30% da força de trabalho no campo. No quesito gestão, 947 mil propriedades rurais são administradas por mulheres, o que corresponde a 19% do total de estabelecimentos registrados no país.
No sistema sindical rural do Paraná, o protagonismo feminino também é significativo. Entre os mais de 400 colaboradores dos 162 sindicatos rurais espalhados pelo Paraná, 75% são mulheres. Entre os 1,7 mil integrantes do quadro de diretores, 12% (240) são produtoras rurais. Já quando se olha para o comando máximo das entidades, 13 mulheres estão na presidência dos sindicatos rurais. No Sistema Faep, 55% dos colaboradores são mulheres.
“Essa data é mais uma oportunidade para destacarmos a participação feminina em espaços de decisão na agropecuária. Isso porque elas têm desempenhado um papel fundamental, principalmente pela liderança, competência e protagonismo. Isso é motivo de orgulho e inspiração, para que a gente continue trabalhando e lutando por igualdade, respeito e direitos”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Avançamos nos últimos tempos, mas precisamos continuar caminhando, destacando as conquistas e, principalmente, reforçando o compromisso com um futuro mais justo e inclusivo”, complementa.
A relação de Celina Terassi com o campo começou cedo. Filha de agricultores, ela nasceu em Assis, no Estado de São Paulo, e, ainda criança, mudou-se com a família para Maringá, na região Norte do Paraná. Criada no sítio, aprendeu desde pequena a lidar com a rotina da lavoura ao lado do pai e dos irmãos. A família cultivava soja e também trabalhava com gado.
A tradição da família no meio rural já soma mais de seis décadas. Mesmo depois de se casar e morar um período na cidade para que os filhos pudessem estudar, Celina manteve a ligação com a atividade agrícola. Hoje, aos 58 anos, continua atuando na propriedade da família, onde produz soja, milho e atua na pecuária.
Em 2011, Celina se mudou para Sertanópolis, onde segue até hoje trabalhando como agricultora. Foi justamente na cidade que assumiu um novo desafio: a liderança sindical. O convite para presidir o Sindicato Rural de Sertanópolis surgiu em julho de 2021.
“No começo, fiquei meio receosa, porque eu nunca tinha participado de uma diretoria. A gente sentia falta de alguém que pudesse nos representar. O agricultor é unido, mas precisa de alguém para tomar a frente. Um fala para o outro, mas ninguém queria assumir. Então, pela necessidade, resolvi assumir”, lembra.
Na época, a situação da entidade era delicada. Diante desse cenário, a diretoria precisou reconstruir a entidade praticamente do zero. “Começamos a trabalhar, fazendo cobranças de dívidas e organizando eventos para conseguir recursos e manter o sindicato funcionando”, conta Celina, ao mesmo tempo em que recuperavam a confiança dos produtores rurais da região.
A experiência também reforçou a importância da presença feminina no agro. Segundo Celina, a participação das mulheres tem crescido, impulsionada inclusive pelas mudanças na dinâmica das propriedades rurais. “A mulher tem um papel importante ao interceder dentro da família e da comunidade, mostrando a importância de a pessoa trabalhar e se sentir útil”, reforça. “O objetivo é contribuir para fortalecer a gestão das propriedades, mostrando que temos nosso valor e que estamos prontas para somar e ajudar também na administração”, complementa.



