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Alysson Garcia, vice-presidente do Grupo Villela, especialista em gestão de passivos e de capital

CAPITAL PARADO

Quanto dinheiro sua empresa pode estar deixando na mesa?

Com crédito mais seletivo e custo financeiro ainda elevado, empresas brasileiras enfrentam um paradoxo: enquanto o estoque de crédito para pessoas jurídicas supera R$ 2,3 trilhões, segundo o Banco Central (BC), o acesso a novas concessões tornou-se mais restritivo e caro. Ao mesmo tempo, os índices de inadimplência empresarial permanecem em patamar elevado, de acordo com dados da Serasa Experian. 

O resultado é um ambiente em que crescer depende cada vez menos de captar recursos externos e cada vez mais de eficiência interna. Nesse contexto, uma pergunta começa a ganhar espaço entre especialistas em finanças corporativas: quanto capital já existente dentro das empresas está sendo negligenciado?

Grande parte das companhias concentra esforços na expansão de receitas ou na negociação de novas linhas de crédito, mas dedica pouca atenção à revisão técnica das obrigações já assumidas. Créditos tributários não compensados, encargos financeiros superiores ao necessário, multas passíveis de redução, contratos bancários com cláusulas desfavoráveis e dívidas mal estruturadas representam fontes recorrentes de capital.

Não se trata de erro contábil, mas de ausência de gestão estratégica do passivo. Empresas que não revisam periodicamente sua estrutura de dívidas acabam operando com custo financeiro superior ao ideal e com menor previsibilidade de caixa.

Além disso, o descasamento entre prazos de recebimento e pagamento segue sendo um dos principais fatores de pressão financeira. Quando despesas estruturais são financiadas por linhas de curto prazo, a empresa se torna vulnerável a qualquer oscilação econômica ou retração de receita.

Revisão técnica como instrumento de crescimento

A análise estruturada dos passivos permite identificar oportunidades concretas de reorganização financeira. A revisão de bases tributárias, a verificação de encargos bancários, a renegociação de contratos com fornecedores e o alongamento estratégico de prazos podem reduzir significativamente a pressão sobre o caixa sem elevar o nível de endividamento.

Segundo Alysson Garcia, vice-presidente do Grupo Villela, especialista em gestão de passivos e de capital, o principal erro das empresas é enxergar a dívida apenas como obrigação a ser quitada. Segundo ele, a qualidade da estrutura financeira é tão importante quanto o volume de receitas. Empresas que auditam seus passivos com profundidade conseguem identificar créditos recuperáveis, inconsistências contratuais e oportunidades legais que muitas vezes passam despercebidas na rotina operacional.

A atuação especializada nessa frente envolve diagnóstico detalhado das obrigações fiscais, bancárias e trabalhistas, identificação de créditos acumulados e negociação estruturada com credores. O objetivo não é simplesmente reduzir valores, mas reorganizar o passivo de forma sustentável, melhorando indicadores de liquidez e capacidade de crédito.

Outro ponto crítico é o acompanhamento contínuo de riscos financeiros. Protestos, execuções judiciais e restrições de crédito podem comprometer não apenas o caixa imediato, mas a reputação e a capacidade de negociação futura da empresa. A ausência de monitoramento transforma problemas administrativos em crises estruturais.

A profissionalização da gestão de passivos passa a ser, portanto, elemento estratégico em um cenário de maior rigor na concessão de crédito. Antes de ampliar a alavancagem, empresas mais estruturadas têm priorizado a reorganização interna, recuperando capital e fortalecendo a base financeira.

Crescer com menos dependência externa

O ambiente econômico atual exige maturidade financeira. Em vez de perguntar quanto o mercado está disposto a emprestar, empresas começam a avaliar quanto capital pode ser reorganizado dentro da própria operação. “A eficiência na gestão de passivos deixa de ser medida defensiva e passa a integrar a estratégia de crescimento”, afirma Alysson Garcia. Em um mercado mais seletivo, a vantagem competitiva não está apenas na capacidade de captar recursos, mas na habilidade de utilizar com inteligência o que já existe. Conforme o vice-presidente do Grupo Villela, identificar capital mal alocado, reorganizar obrigações e fortalecer o caixa podem representar a diferença entre depender do crédito externo ou crescer com maior autonomia financeira.

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