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Patricia Maia é sócia do Barbosa Maia Advogados, escritório especializado em recuperação de ativos e estruturação de operações financeiras para o mercado de recebíveis. Com mais de 19 anos de experiência, atua como business strategist em operações de factoring, securitizadoras e Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), além de consultora em reestruturação empresarial, garantias imobiliárias e gestão de risco financeiro

ALÉM DA MULTA

Divergências no Imposto de Renda podem levar a bloqueio de bens e processos judiciais

Com o início do prazo de entrega do Imposto de Renda, que vai de 23 de março a 29 de maio, aumenta a atenção sobre erros que levam contribuintes à malha fina. Dados recentes da Receita Federal mostram que a maior parte das retenções ocorre por inconsistências entre renda declarada, movimentação financeira e informações prestadas por terceiros. O avanço no cruzamento de dados, que inclui bancos e instituições financeiras, ampliou a capacidade de fiscalização e tornou mais difícil que divergências passem despercebidas.

Patricia Maia, sócia do Barbosa Maia Advogados e especialista em recuperação de ativos, afirma que o problema vai além de erros técnicos e pode gerar consequências jurídicas relevantes. “Quando há incompatibilidade entre o que a pessoa declara e o que ela movimenta, a Receita interpreta como possível omissão de renda. Isso pode resultar em multa, autuação e até questionamentos mais profundos sobre o patrimônio”, diz.

A especialista explica que o Fisco identifica essas inconsistências por meio de cruzamentos automatizados. “A Receita compara dados de bancos, empresas, planos de saúde e outras fontes. Qualquer diferença relevante entre esses registros e a declaração gera alerta quase imediato”, afirma.

Diante desse contexto, a advogada orienta que o contribuinte adote medidas práticas para evitar problemas fiscais e jurídicos. Segundo ela, a organização financeira e a consistência das informações são determinantes para reduzir o risco de autuações.

Entre as principais recomendações, Patricia Maia destaca:

Garantir a origem comprovada de todos os valores movimentados
“Todo dinheiro que entra na conta precisa ter uma origem clara e documentada, seja salário, lucro, doação ou empréstimo.”

Separar rigorosamente pessoa física e jurídica
“Misturar contas pessoais e empresariais é um erro recorrente e difícil de justificar em uma eventual fiscalização.”

Manter coerência entre renda e evolução patrimonial
“A aquisição de bens precisa estar alinhada com a renda declarada. Quando isso não acontece, o sistema identifica rapidamente.”

Revisar a declaração antes do envio
“Erros simples, como divergência de valores ou omissão de pequenos rendimentos, já são suficientes para levar à malha fina.”

As consequências de inconsistências não se limitam à malha fina. Em situações mais graves, o contribuinte pode ser autuado, inscrito em dívida ativa e até ter bens bloqueados. “Quando o problema evolui, ele deixa de ser apenas fiscal e passa a ser jurídico. Isso pode impactar patrimônio, crédito e até gerar disputas judiciais”, afirma a advogada.

Para Patrícia Maia, o principal ponto é tratar a declaração como um retrato fiel da vida financeira. “A organização e a coerência das informações são a melhor forma de prevenção. Quando tudo está bem estruturado, o risco de cair na malha fina ou sofrer autuação diminui de forma significativa”, conclui.

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