O turismo é a força que move a economia de Porto Rico, no Noroeste do Paraná. As prainhas de água doce convidam pessoas de diferentes regiões do Brasil, especialmente do Sul, do Centro-Oeste e do Sudeste, principalmente nas férias de dezembro e janeiro e nos feriados prolongados.
A prefeitura calcula que durante a alta temporada, o município receba e média 40 mil turistas por fim de semana, número quase 12 vezes maior do que a população absoluta – a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025 foi de 3.370 habitantes.
Tanta gente circulando pela cidade exige organização, e o objetivo agora é regulamentar o descarte de resíduos nas faixas de areia, tanto para visitantes quanto para comerciantes.
Nesta semana, a secretária de Meio Ambiente, Ludimila Soares Gratão, recebeu a equipe do Diário do Noroeste e acompanhou até a Praia de Santa Rosa para falar sobre o tema.

Foto: Gustavo Romano
Ela explicou que Porto Rico, assim como os demais municípios da Costa Noroeste, está inserido em uma unidade de conservação de uso sustentável, ou seja, faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA). Significa que está sujeito às ações de monitoramento e fiscalização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do governo federal.
A exigência de estabelecer regras partiu do ICMBio, após uma solicitação oficializada no dia 15 de janeiro deste ano. O prazo para a regulamentação termina em 15 de junho.
Ludimila detalhou: “As barracas de ferro e as ferragens vão ter que ser retiradas da praia. Vão ser permitidas somente as barracas gazebo e guarda-sóis”. A determinação é válida para turistas e para comerciantes que utilizam a prainha para vender alimentos, bebidas e acessórios.
E por falar em barracas, a secretária acrescentou: “[Os comerciantes] não vão poder tomar conta de toda a faixa de areia. A praia é de todos, então, quando o turista chegar, terá preferência para montar a barraca dele onde quiser. Aquele comerciante que não tiver ninguém usando o espaço, terá que desmontar a barraca para o turista montar a dele”.
Carvão para churrasqueiras também será proibido. “É nítido ver a degradação que o carvão está fazendo na areia”, lamentou. É possível identificar pontos escuros por toda a extensão da praia na Ilha de Santa Rosa, a mais frequentada por turistas. Trata-se do resultado de anos de descarte irregular.
Para substituir o elemento combustível, a sugestão da secretária é adotar churrasqueiras de gás butano, “aquele fogareiro pequenininho que não é com carvão”.
Ainda pensando na preservação dos recursos naturais, a nova regulamentação exigirá que os comerciantes instalem equipamentos de filtragem para o descarte de resíduos de cozinha no rio.
Para dar uma ideia do volume de materiais deixados para trás, o assessor da Secretaria de Meio Ambiente Gustavo Barbosa Matonovic contou que há duas semanas, a equipe de limpeza retirou 88 sacos de 200 litros repletos de lixo, equivalente a quase 18 mil litros.

Foto: Gustavo Romano
Conscientização
Por enquanto, a Prefeitura de Porto Rico está investindo em ações de educação ambiental e conscientização. Além de orientar os próprios moradores e os barraqueiros, a administração municipal mantém o foco nos turistas, para que sigam as regras e evitem problemas futuros.
A secretária de Meio Ambiente falou sobre campanhas nas escolas, no comércio e nas redes sociais. Da mesma forma, disse acreditar no efeito positivo das conversas com os visitantes para que não deixem lixo na praia. “Quem vem, quem traz, se estiver consciente, não vai descumprir.”
A partir de 15 de junho, o descumprimento das determinações resultará em autuações e multas. Os termos das punições serão definidos a partir de um termo de cooperação com o ICMBio e da elaboração de uma lei municipal.
A ideia, segundo Ludimila, é envolver todos os municípios da região no processo. Ela citou como exemplos São Pedro do Paraná, Querência do Norte, Marilena e Nova Londrina e reforçou a necessidade de adesão com o seguinte argumento: “Às vezes, o turista vai deixar de fazer o churrasco aqui, mas vai para outra praia e acaba degradando a outra praia”.
Com a vigência da nova legislação em Porto Rico, a prefeitura deverá intensificar a fiscalização durante todo o ano e contratar seguranças para que atuem nos dias de maior fluxo de turistas.

Foto: Gustavo Romano
Comerciantes
Para ampliar o alcance das novas políticas públicas, a secretária de Meio Ambiente tem trabalhado no sentido de regularizar a associação de comerciantes e fortalecer a parceria com o setor privado.
A princípio, são 11 integrantes, todos ilhéus, fundamentais para garantir a preservação dos recursos naturais de Porto Rico e, consequentemente, de toda a Costa Noroeste. A associação, disse Ludimila, ajudará a fazer a fiscalização de forma efetiva.
Turismo
Alinhado com as exigências do ICMBio e pensando no futuro do município, o secretário de Turismo Murilo Gois assegurou que as mudanças trarão “melhorias para os próprios turistas”. Com as praias limpas e conservadas, é possível pensar, inclusive, em receber maior número de visitantes.
Segundo ele, Porto Rico reúne a maior frota náutica do Paraná, o que comprova a relevância do município no cenário turístico.
Feriadões
O calendário deste ano foi generoso com o mês de abril. O primeiro fim de semana vem acompanhado de um feriado, a Sexta-Feira Santa, celebrada no dia 3. Pouco mais de duas semanas depois, o Brasil terá outro fim de semana prolongado, com a comemoração do Dia de Tiradentes, em 21 de abril, uma terça-feira. As duas ocasiões deverão atrair grande público a Porto Rico.
De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a previsão para os próximos dias é favorável aos turistas: de sexta-feira a domingo, o céu permanecerá sem nuvens e os termômetros marcarão máximas de até 33 graus.
Objetivo é envolver todos os municípios da região no processo, para que não haja transferência do problema a prainhas de São Pedro do Paraná, Querência do Norte, Marilena e Nova Londrina



