O comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas voltou ao maior patamar da série histórica, atingindo 29,3%, segundo o Banco Central. O indicador evidencia a crescente pressão sobre o orçamento doméstico, impulsionada pelo alto custo do crédito e pela maior dependência de linhas mais caras, como o cartão de crédito.
Os juros médios do rotativo chegaram a 436% ao ano, também de acordo com o Banco Central, consolidando o cartão como uma das principais fontes de desequilíbrio financeiro das famílias. Hoje, cerca de 80% dos brasileiros têm algum tipo de dívida — o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) — e, entre os que utilizam o cartão, 63% estão inadimplentes.
Para a especialista em educação financeira e professora da Uninter, Olívia Resende, sair do vermelho não exige soluções complexas, mas sim consistência e clareza sobre a própria realidade financeira. “Mais do que grandes mudanças, o que transforma a relação com o dinheiro são decisões pequenas e sustentáveis ao longo do tempo”, afirma.
A especialista elenca quatro passos práticos para reorganizar as finanças até o fim do ano:
Observe seu comportamento: durante uma semana, registre todos os gastos e identifique em quais momentos eles ocorrem. O exercício ajuda a revelar padrões que passam despercebidos no dia a dia.
Entenda quanto entra e quanto sai: mapear receitas e despesas permite priorizar gastos, ajustar excessos e reorganizar o orçamento com mais intencionalidade.
Defina metas simples e alcançáveis: quitar uma dívida específica, reduzir o uso do cartão ou gerar uma pequena sobra no fim do mês já representam avanços concretos. Resultados visíveis ajudam a manter a disciplina.
Acompanhe de perto: revisões frequentes permitem corrigir desvios rapidamente e manter o planejamento alinhado à realidade, que está em constante mudança.




