Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
Renato Benvindo Frata é escritor, advogado e professor. Presidente de Honra da Academia de Letras e Artes de Paranavaí – Alap

ESPAÇO ALAP

Entre a Coragem e o Medo

Num canal de filmes, deparei-me com um da década de 90, sobre a Segunda Guerra Mundial. Relatava — na visão americana — feitos heroicos do seu famoso Terceiro Exército; e tantos foram os tiros e bombas que me vi esfumaçado, mas aguentei até sorrir no The End. A vitória sempre nos arranca sorrisos.

Esses filmes dão aos seus heróis reconhecimento de valentia, inteligência, expertise e ufanismo. Quem ganha, canta, joga beijos e até dança. O que me chamou a atenção, no entanto, foi a fala do General Patton à tropa carecida de ânimo.

— “A coragem é o medo que resistiu mais um minuto.” Resistam! – Ele disse, a impingir coragem em seus soldados.

O “medo” identifica o estado causado pela consciência do perigo, e surge como reação instintiva, um mecanismo de defesa que cria temor, ansiedade, receio. Já a “Coragem,” é firmeza de espírito para enfrentar situações difíceis, é atributo de determinação para atividades que exijam firmeza diante do perigo; é a decisão frente à dificuldade apesar do medo, da intimidação que a situação impõe.

Em outras palavras, coragem não significa ausência de medo, mas ação apesar dele. Aí está o segredo.

São muitas as “assombrações” a nos assustarem diariamente — daí não ser incomum o medo. Os noticiários mostram a realidade: elas mexem com nossa alma para deixá-la temerosa, a ponto de fazer com que nosso semblante mire apenas o chão, como porco, e acabamos por olhar nossos pés, não as estrelas.

Sabe por quê? Por causa especialmente desses desmandos da nossa política, que vão do vereador ao presidente; dos gestores em geral; das câmaras, assembleias, senado, para chegar a quem deveria cuidar da justiça.

Um verdadeiro horror que se nos acerca. É muita bandalheira aos nossos olhos e ouvidos.

— O que fazer, general? — perguntou, com medo, um dos soldados de Patton.

Ele o mirou e, sisudo, disse: — Mentalize com força: com coragem hoje enfrentarei a maldade que se puser diante de mim. Irei além: enfrentarei os desafios com destemor, porque nada é definitivo. Os maus também morrem!

Ao menos no filme — ele, Patton, venceu a guerra. Mas nós, pobres indefesos, o que faremos sem ter ao menos um general em quem confiar?

Talvez nos reste seguir o americano e mentalizar: — Sim, eu posso! Enfrentarei qualquer velhacaria que puserem diante de mim!

Quem sabe se pensarmos fortemente, consigamos suportar mais uma edição do jornal, sabendo que as notícias de hoje serão mais horrendas e nojentas que as de ontem. Mas, melhores que as de amanhã.

— Resistamos! — é o que diria o bom general.

Compartilhe: