Num canal de filmes, deparei-me com um da década de 90, sobre a Segunda Guerra Mundial. Relatava — na visão americana — feitos heroicos do seu famoso Terceiro Exército; e tantos foram os tiros e bombas que me vi esfumaçado, mas aguentei até sorrir no The End. A vitória sempre nos arranca sorrisos.
Esses filmes dão aos seus heróis reconhecimento de valentia, inteligência, expertise e ufanismo. Quem ganha, canta, joga beijos e até dança. O que me chamou a atenção, no entanto, foi a fala do General Patton à tropa carecida de ânimo.
— “A coragem é o medo que resistiu mais um minuto.” Resistam! – Ele disse, a impingir coragem em seus soldados.
O “medo” identifica o estado causado pela consciência do perigo, e surge como reação instintiva, um mecanismo de defesa que cria temor, ansiedade, receio. Já a “Coragem,” é firmeza de espírito para enfrentar situações difíceis, é atributo de determinação para atividades que exijam firmeza diante do perigo; é a decisão frente à dificuldade apesar do medo, da intimidação que a situação impõe.
Em outras palavras, coragem não significa ausência de medo, mas ação apesar dele. Aí está o segredo.
São muitas as “assombrações” a nos assustarem diariamente — daí não ser incomum o medo. Os noticiários mostram a realidade: elas mexem com nossa alma para deixá-la temerosa, a ponto de fazer com que nosso semblante mire apenas o chão, como porco, e acabamos por olhar nossos pés, não as estrelas.
Sabe por quê? Por causa especialmente desses desmandos da nossa política, que vão do vereador ao presidente; dos gestores em geral; das câmaras, assembleias, senado, para chegar a quem deveria cuidar da justiça.
Um verdadeiro horror que se nos acerca. É muita bandalheira aos nossos olhos e ouvidos.
— O que fazer, general? — perguntou, com medo, um dos soldados de Patton.
Ele o mirou e, sisudo, disse: — Mentalize com força: com coragem hoje enfrentarei a maldade que se puser diante de mim. Irei além: enfrentarei os desafios com destemor, porque nada é definitivo. Os maus também morrem!
Ao menos no filme — ele, Patton, venceu a guerra. Mas nós, pobres indefesos, o que faremos sem ter ao menos um general em quem confiar?
Talvez nos reste seguir o americano e mentalizar: — Sim, eu posso! Enfrentarei qualquer velhacaria que puserem diante de mim!
Quem sabe se pensarmos fortemente, consigamos suportar mais uma edição do jornal, sabendo que as notícias de hoje serão mais horrendas e nojentas que as de ontem. Mas, melhores que as de amanhã.
— Resistamos! — é o que diria o bom general.



