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OPINIÃO

Paranavaí – Festival Monteiro Lobato (1998-2026)

Parabéns Paranavaí, por tantas décadas do Festival Monteiro Lobato, parabéns por revisitar por tantas vezes o Sítio do Picapau Amarelo. Ler Monteiro Lobato é sempre um contínuo desafio.

O sucesso e a continuidade deste projeto de incentivo à leitura foi uma demonstração que as entidades públicas culturais e educativas, juntamente com a administração das escolas, professores, alunos e pais, podem descobrir novos caminhos para a formação de jovens leitores.

Um século depois, Lobato continua atual

Lobato, um brasileiro inconformado, que viveu no início do séc. XX, e que tentou compreender a realidade do país para mudá-la. Uma trajetória de vida permeada pela marca da independência.

Lobato, um brasileiro, da primeira metade do século passado, o que tem ainda hoje, de importante a dizer ao país?

O fato é que a maioria das coisas que, como jornalista, Lobato denunciava e tentava mudar, pouco mudaram nos dias atuais: no campo da saúde, a distribuição da terra, socialização da cultura, ética na política, justiça social.

Lobato, um brasileiro preocupado com o resgate das nossas raízes nos diversos campos do saber e da criação artístico-literária, sua contribuição foi decisiva para a cultura nacional.

Lobato é surpreendente justamente por sua personalidade múltipla e inquieta. Lobato e suas várias facetas: jurista, fazendeiro, jornalista, editor, literato… Cada faceta é mais cativante que a outra.

Lobato e sua incrível capacidade de antever o futuro. Aí estão as telecomunicações instantâneas que como ele previra “iriam acabar com a saudade – filha da lentidão e da falta de transporte”.

Lobato a certa altura da vida, optou por apostar na formação da criança e do adolescente, em cujas mãos, ao seu ver, residiam a esperança de um Brasil melhor e mais justo.

Lobato é o precursor de uma tradição da literatura infantil brasileira, sendo revisitado até hoje pelos escritores da obra infantil, que se denominam filhos de Lobato.

A saga do Sítio do Picapau Amarelo inaugura um autêntico discurso emancipatório para os pequenos leitores. Um discurso aberto em que a criança também pode participar, dar seu ponto de vista sobre o que lhe é contado, ou sobre o que está acontecendo na realidade. Lobato dá voz e vez à criança.

O “Sítio” é um marco histórico, um divisor de águas no campo da literatura infantil brasileira. O “Sítio” é uma metáfora do Brasil.

 Marisa Lajolo, estudiosa da obra do autor afirma: “apaixonado, idealista, irônico, rabugento, sonhador, radical, contraditório… Monteiro Lobato é um pouco como todos nós, brasileiros.”

Para finalizar este breve comentário, gostaria de destacar aqui uma citação de Monteiro Lobato, que ilustra bem a importância atribuída por ele ao Sítio do Picapau Amarelo – “No dia em que nosso planeta ficar inteirinho como é o sítio, não só teremos paz eterna como a mais perfeita felicidade.”

                                                                                                              Elmita Simonetti              (18/04/2026)

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