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Estudo Fiep/Tendências indica que pelo menos 1,3 milhão de trabalhadores podem perder seus empregos ou migrar para a informalidade Foto: Gelson Bampi

FIEP

Debate sobre jornada de trabalho ignora impactos para a economia do país

Entidade reforça a necessidade de um debate amplo, técnico e responsável, que leve em conta todos os lados envolvidos

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) considera uma irresponsabilidade o avanço da proposta de redução da jornada de trabalho no país sem que sejam devidamente considerados os impactos já amplamente demonstrados por diversos estudos técnicos. Para a entidade, a condução do tema ignora evidências relevantes e ocorre sem o diálogo necessário com o setor produtivo, o que compromete a qualidade de uma decisão que terá efeitos profundos sobre a economia brasileira.

Diante desse cenário, a Fiep reforça a necessidade de um debate amplo, técnico e responsável, que leve em conta todos os lados envolvidos. A entidade alerta que a falta de diálogo e a tentativa de aprovação apressada da medida, especialmente em um período pré-eleitoral, desconsideram análises consistentes sobre seus efeitos negativos, colocando em risco a competitividade da indústria e a geração de empregos.

Impactos severos

Estudo técnico elaborado pela Fiep em parceria com a Tendências Consultoria, divulgado em março, utilizou metodologia reconhecida internacionalmente para simular os efeitos da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. Os resultados indicam impactos negativos relevantes, tanto no curto quanto no médio prazo.

Entre os principais pontos, destaca-se a queda do Produto Interno Bruto (PIB). No cenário de redução para 40 horas, a retração pode chegar a 1,9% já no primeiro ano e atingir 2,9% em cinco anos. O estudo também evidencia riscos expressivos ao mercado de trabalho formal. A projeção indica que pelo menos 1,3 milhão de trabalhadores podem perder seus empregos ou migrar para a informalidade. Em cinco anos, a redução pode alcançar até 5,7% dos postos formais no cenário mais intenso.

Experiências internacionais analisadas no estudo reforçam esse alerta. Países como França, Portugal, Alemanha e Japão registraram efeitos adversos após mudanças semelhantes, incluindo aumento do desemprego entre trabalhadores de menor renda, substituição de mão de obra mais experiente por trabalhadores menos qualificados e elevação do custo por hora trabalhada, sem geração adicional de empregos.

Negociação coletiva

A Fiep alerta que a indústria brasileira é heterogênea, reunindo desde setores altamente automatizados até segmentos intensivos em mão de obra e com margens reduzidas. Uma mudança uniforme na jornada, sem considerar essas diferenças, tende a elevar custos, reduzir a competitividade e impactar diretamente os empregos, gerando instabilidade para empresas e trabalhadores. Por isso, a entidade defende que a modernização das relações de trabalho deve ocorrer por meio da negociação coletiva, com flexibilidade e segurança jurídica.

Além disso, a Federação destaca que o país ainda enfrenta baixa produtividade, praticamente estagnada nos últimos anos. Por isso, antes de discutir a redução da jornada, é essencial avançar em políticas estruturantes, como modernização tecnológica, qualificação profissional e melhoria do ambiente de negócios. A Fiep reforça que falta diálogo no debate atual e que decisões apressadas, sem considerar os impactos já evidenciados, colocam em risco o crescimento, o emprego e o desenvolvimento sustentável do país.

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