O Brasil gerou 228,2 mil vagas de trabalho formal em março, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quarta-feira (29) pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). O número representa um aumento na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando houve apenas 79 mil postos criados.
O resultado veio acima do esperado: pesquisa da agência Reuters com economista apontava expectativa de criação líquida de 150 mil vagas.
Em março, o país teve 2,5 milhões de contratações e 2,2 milhões de desligamentos. No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo é de 1,1 milhão de empregos formais criados, que totalizam 49 milhões de vínculos.
Esse saldo representa uma queda na comparação com o mesmo período do ano passado, entre abril de 2024 e março de 2025, quando o acumulado era 34,3% maior, com 1,6 milhão de novos postos de trabalho.
O resultado para março também está um pouco abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Entre janeiro e março de 2025, o acumulado foi de 675 mil empregos formais criados, enquanto, no mesmo período deste ano, o número foi de 613 mil.
O setor com maior número absoluto de novas vagas foi o de serviços, com 152 mil postos formais, seguido pelo setor de construção, com mais 38,3 mil, e indústria, com 28,3 mil.

Foto: José Paulo Lacerda/CNI
No setor de serviços, houve alta no segmento de atividades administrativas, com mais 38,7 mil postos, seguido pelo de saúde humana e serviços sociais, que teve aumento de 22,3 mil.
Dentre os setores, a agropecuária foi o único que registrou saldo negativo, com menos 18 mil postos formais de trabalho. Segundo o MTE, a queda maior foi para os cultivos de maçã, soja e laranja.
Por estado, as maiores altas foram no Acre (AC), onde houve aumento de 0,92% no total de empregos formais, seguido por Roraima (RR), com 0,88%, e Piauí (PI), com 0,86%.
Já os menores saldos foram em Alagoas, com queda de 1,10%, Mato Grosso, com redução de 0,17% e Sergipe, com menos 0,09%.
No acumulado de janeiro a março, foi o setor de comércio que registrou saldo negativo, com menos 19 mil postos formais no período puxado pela queda no comércio de vestuário e de calçados.
Neste período, as maiores variações foram para Goiás, com aumento de 2,33% no total de postos formais, seguido pelo Mato Grosso, com alta de 2,27%, e de Santa Catarina, com 2,26%. Alagoas teve a maior queda também no acumulado, com menos 2,23% de postos formais.
Nesta quarta-feira (28), a expectativa do mercado é que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, indo de 14,75% para 14,5%. A alta na taxa básica de juros foi duramente criticada pelo governo, incluindo o ministro Luiz Marinho, que atribuiu a queda no emprego à Selic elevada no ano passado
“O acumulado em três meses talvez seja mais adequado, porque afirmamos desde 2024 que entraríamos em processo de decréscimo e desaceleração. Banco central, reduza mais um pouquinho, o juro está muito alto”, disse o ministro nesta quarta.




