A venda de máquinas e implementos agrícolas apresentou ligeira recuperação em março, mas o acumulado do primeiro trimestre indica recuo de 16,4% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado.
A queda nos negócios está concentrada nas colheitadeiras de grãos (soja e milho), setor mais impactado pelos preços atuais das commodities agrícolas.
As vendas de colheitadeiras aos usuários finais recuaram 40,62%, passando de 1.250 para 761. Já as negociações de tratores alcançaram 9.215 unidades entre janeiro e o mês passado, ante os 10.087 do primeiro trimestre de 2025, o que indica queda de 8,64%.
Os dados foram divulgados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) na tarde desta quarta-feira (29) durante a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação). Realizada em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), a feira é considerada um termômetro dos negócios envolvendo a venda de máquinas no ano.
Segundo a associação, o ano tem sido desafiador, mas os dados de março sugerem um indicativo de melhora, no caso dos tratores.
Foram 3.840 tratores vendidos no mês passado, ante os 3.695 do mesmo mês em 2025. Em relação às colheitadeiras, 217 foram vendidas em março, queda de 36,18% em comparação com as 340 do mesmo mês do ano passado.
“O mercado sentiu o cenário dos grãos, e 60% do mercado é soja e milho”, disse Pedro Estêvão, presidente da câmara de máquinas agrícolas da Abimaq.
De acordo com ele, fatores como o câmbio atual e o forte incremento de lavouras que o país teve nos últimos anos, com a abertura de 15 milhões de hectares a mais em produção, influenciaram nos resultados financeiros atuais.
“Bancos restringindo crédito, juros ficaram muito altos e taxa de câmbio que não está ajudando muito”, disse.
A previsão para este ano é de queda de 8% nas vendas de máquinas. “Com viés de baixa”, afirmou Estevão.




