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Sensei Jefferson Tanaka tem mais de 40 anos dedicados ao karatê - Foto: Ivan Fuquini

REFERÊNCIA

Sensei de Paranavaí alcança 5º Dan e se torna o mais graduado da JKA no Paraná

Referência no karatê de Paranavaí e do Paraná, o sensei Jefferson Tanaka, 52 anos, da Associação de Karatê Kemtiam, alcançou o 5º Dan durante o Campeonato Brasileiro de Karatê Shotokan JKA, realizado entre os dias 22 e 26 de abril, em Belém (PA). Com o novo nível, ele passa a ser o mais graduado da Japan Karatê Association (JKA) no estado, em uma trajetória de mais de 40 anos dedicada à modalidade.

“Assim que terminei o exame, já veio a cobrança. Agora você é o 5º Dan. Todos vão olhar de forma diferente, porque você passa a ser responsável técnico. Além do bônus, vem o ônus: treinar mais, evoluir mais e repassar isso para todos”, afirma.

Ao retornar do Brasileiro, o sensei recebeu a equipe do Diário do Noroeste em sua academia e explicou sobre as graduações, além de relembrar sua trajetória na modalidade.

Ele começou explicando que a graduação no karatê é construída ao longo de anos, desde as faixas iniciais até a faixa preta, quando passam a ser conquistados os chamados “Dans”. Para atingir o 5º Dan, é necessário cumprir etapas com intervalos mínimos entre os exames, além de manter participação ativa em cursos, competições e avaliações com mestres de alto nível.

“Não é só fazer prova. Existe tempo, avaliação constante e acompanhamento de professores mais graduados. É uma construção ao longo da vida”, explica.

A relação de Tanaka com o karatê começou ainda na infância, após um episódio marcante. Aos 9 anos, depois de sofrer uma agressão na rua, foi levado pela mãe para aprender a se defender.

“Minha mãe disse que eu não apanharia mais. Me levou para o karatê e, a partir dali eu nunca mais parei”, relembra.

Desde 1984 na modalidade, ele construiu uma trajetória consistente, com passagem pelo Japão, onde treinou e se graduou. Foi o único aluno de seu mestre, o sensei Ken-chan, a ter a oportunidade de treinar no país.

Após retornar ao Brasil e encontrar a cidade sem professores, decidiu iniciar sua própria jornada como instrutor, dando continuidade ao trabalho do mestre.

Sensei alcançou o 5º Dan durante o Campeonato Brasileiro realizado no Pará (Foto: Reprodução)

Com 42 anos de prática, Tanaka é a prova que o karatê vai muito além da luta. Para ele, a modalidade é uma ferramenta de transformação pessoal.

“Não ensino só golpe. Ensino comportamento, disciplina e respeito. O karatê é equilíbrio. Se você deixa o lado ruim ganhar, vira outra pessoa. Se equilibra, evolui como ser humano”, destaca.

Segundo o sensei, o papel do professor é manter a essência da arte marcial, baseada na filosofia do budô japonês, que valoriza princípios como respeito, persistência e autocontrole. “Desistir não existe. A gente ensina que, mesmo com dificuldade, ainda é possível. Isso vale para o treino e para a vida”, afirma.

A dedicação ao karatê exigiu renúncias ao longo da vida. Tanaka conta que a rotina intensa impacta o convívio familiar, mas destaca o apoio constante. “Minhas filhas brincam que cuido mais dos alunos do que delas. Mas é uma escolha de vida. Eu vivo do karatê e para o karatê”, diz.

Mesmo com a experiência, o sensei relembra que chegou ao exame sem total confiança de que seria aprovado, mas acabou surpreendendo.

“Fui achando que não ia passar. Acabei fazendo o melhor exame da minha vida. Quando saiu o resultado, foi uma emoção muito grande”, lembra.

Com o 5º Dan, Tanaka assume também maior responsabilidade dentro da JKA no Paraná, sendo referência técnica para outros professores e praticantes da escola. Ele destacou que o Paraná sempre teve um karatê forte, por conta da influência japonesa e dos mestres que vieram pra cá e agora o desafio é manter a tradição.

O foco também está na formação de novos atletas e nas competições futuras. “Quero classificar mais alunos para o Mundial. Temos uma equipe forte e com potencial para representar bem Paranavaí”, projeta.

Ao olhar para trás, Tanaka não tem dúvidas sobre o caminho que percorreu.

“Se pudesse falar com aquele menino que começou, diria: faz tudo de novo. Foi essa dificuldade que me trouxe até aqui”, conclui

Fonte: Ivan Fuquini

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