“Eu não consigo imaginar minha trajetória no esporte sem ela. Minha mãe me apoiou desde o início. Quando eu achava que não estava indo bem, ela me apoiava. Quando eu estava indo bem, ela também estava lá.”
Enquanto Maria Clara Francez, de 16 anos, salta em busca de marcas e medalhas representando o Paraná e o Brasil nas pistas de atletismo pelo mundo, em Paranavaí existe uma mãe que acompanha cada competição com ansiedade, coração apertado, orgulho e emoção.
Neste Dia das Mães, o Diário do Noroeste conta a trajetória da atleta paranavaiense do salto em altura na perspectiva da mãe, Marcia Francez Belmonte, que se tornou uma das principais bases da filha dentro e fora do esporte.
Marcia, que também é mãe de Beatriz, de 29 anos, e Gustavo, de 25, e avó do Benjamin e da Briana, lembra que a trajetória da Maria Clara no atletismo começou com um simples convite para um treino. Depois vieram as competições no município, no estado, a nível nacional, sul-americanas e mundial. “Quando ela foi campeã mundial, a ficha demorou para cair”, conta.
Hoje, a rotina da família gira em torno dos treinos, viagens e compromissos da atleta. E, nos bastidores, Marcia se tornou peça fundamental nessa caminhada.
“A mãe é o suporte. Tem alimentação, rotina de estudos, treino, terapia, nutricionista. Em época de competição é uma loucura com documentação, prazos e organização. Se perder alguma coisa, corre o risco de não participar. É uma rotina bem corrida”, explica Marcia.
Para ela, os momentos mais complicados são as derrotas longe de casa, pois nesse a vontade de abraçar, chorar junto e dar o colo de mãe é grande, mas não é possível porque a filha não está presente.
Mas as vitórias na trajetória de Maria Clara no salto em altura são bem mais frequentes do que as faltas de pódio. Entre tantas lembranças, uma delas segue marcada na memória da família. Em 2024, Maria Clara conquistou o título sul-americano na Colômbia justamente no aniversário do pai.
“Ela ligou dizendo que tinha ganhado ouro e que era presente de aniversário para o pai dela. Foi emocionante demais. Estávamos em um restaurante e eu levantei para contar para todo mundo que minha filha era campeã sul-americana. Até hoje não sei de onde tirei coragem”, relembra.
Mesmo acostumada com o ambiente das competições, Márcia admite que o nervosismo continua presente. “Tem competição que prefiro nem assistir.”

Projeção – Para a mãe, ouvir o nome da filha sendo anunciado internacionalmente é algo difícil de explicar. “É muito emocionante ver uma filha de uma cidade com tão poucos recursos ter o nome falado no Brasil e fora dele. Quando os narradores começam a falar do currículo dela, das medalhas, eu fico pensando: ‘é minha menina’. Não tem como mensurar essa emoção.”
Mais do que os resultados, porém, Márcia diz admirar a essência da filha.
“O que mais me orgulha é a determinação dela. Treina no calor, no frio, nunca falta. E o mais bonito é que ela não perdeu a simplicidade. As pessoas pedem foto, falam que ela é a atleta de Paranavaí, e ela continua tímida, humilde. Isso é lindo de ver.”
Emoção de filha – Do outro lado dessa relação, Maria Clara reconhece que dificilmente teria chegado até aqui sem o apoio da mãe. “Eu não consigo imaginar minha trajetória no esporte sem ela. Minha mãe me apoiou desde o início. Quando eu achava que não estava indo bem, ela me apoiava. Quando eu estava indo bem, ela também estava lá.”
Para Maria Clara, a conexão entre as duas também aparece nas emoções compartilhadas antes das provas. “Eu não fico nervosa sozinha. Minha mãe fica nervosa comigo, angustiada comigo. A gente divide os sentimentos.”
Após conquistar a medalha de prata no Panamá (Sul-americano), a primeira ligação da atleta foi para casa. “Eu liguei para ela e falei: ‘Mãe, medalhei, peguei segundo lugar’. Ela disse que estava orgulhosa de mim e isso foi muito importante.”
Neste Dia das Mães, a jovem resume em poucas palavras o significado da mãe em sua vida. “Ela é minha base para tudo. É onde eu encontro amor, apoio e segurança. Só tenho a agradecer.”



