Por falta da certeza, aceita-se que o homem tenha deixado seu sinal na pedra com uso de instrumento pontiagudo: de pedra, osso ou madeira.
Um risco, talvez, tenha sido esse sinal; ou um “xis’, e até uma imitação de círculo, não se sabe. E aí nasceu mais um modo de se comunicar: a arte rupestre. Funcional e simbólica, ela passou ocupar como comunicação paredes de cavernas: nosso primeiro quadro-negro.
Depois vieram esculturas em madeira, fios e ossos, com pigmentos extraídos de plantas, carvão, sangue, terra colorida e até gordura. Usaram-se pontas de pedra, dos dedos e até de um material flexível como pelos em feixes – o protótipo do pincel.
Essas figuras serviam de orientação a quem as via, o que não deixa de ser, mesmo que de maneira hipotética, o nascedouro de uma estratégia. O que nos leva a concluir que o traço, quando motivado, lembra um planejamento.
Restrito a quem o traçou, guardado na sua intimidade, ou com objetivo público. Eu traço em segredo a estratégia para concluir um bom negócio, por exemplo, ou eu traço um projeto da construção de uma praça pública.
Quando se fala em tranças, lembram-se cabelos; e vem à mente a figura feminina imaginada, ou a lembrança da que se viu, ou aquela que se vê.
As tranças, assim, nos remetem à técnica de entrelaçamento de fios, divididos em três ou mais porções iguais, a criarem padrões simples ou complexos de penteados.
O interessante dessa história é que, além de sua função estética de organizar e adornar o cabelo, as tranças passaram a servir de mapas — verdadeiros indicativos de caminhos que possibilitavam a fuga dos homens do cativeiro dos brancos.
Isso se deu na Colômbia colonial do século XVI, em que as africanas, ao se pentearem uma a outra, criaram uma codificação nos cabelos: montículos, curvas, volumes e sinuosidades que indicavam caminhos… — verdadeiros mapas — para a liberdade, trançados por hábeis mãos, como cartógrafas, sem uso de lápis e papel.
“Elas desenhavam mapas: a trança enrolada indicava montanha; as que lembram cobras, uma fonte de água — riacho ou rio; a grossa indicava que ali havia um destacamento militar etc. E os homens ‘liam’ os códigos tecidos da testa à nuca, sabendo para onde deveriam fugir.” (Poética do penteado afro-colombiano – 2003).
Exemplo simples, mas espetacular, a comprovar que a necessidade faz a criação, mesmo não tendo o conhecimento de que, enquanto a estratégia se converte em um plano, a tática passa a ser a ação específica utilizada na execução da estratégia.




