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Fellipe Rabelo é especialista em finanças e investimentos, com cerca de 20 anos de atuação, com formação em Administração de Empresas, MBA em Ciência de Dados e MBA em negócios e finanças em andamento nos Estados Unidos, além de certificações do mercado financeiro brasileiro e ligadas à FINRA Foto: Arquivo pessoal

FINANÇAS

Especialista orienta como sair do ciclo das dívidas

O endividamento das famílias brasileiras atingiu um dos níveis mais altos das últimas duas décadas e já compromete quase um terço da renda mensal. Dados do Banco Central mostram que, em janeiro de 2026, 29,3% da renda das famílias estava destinada ao pagamento de dívidas, o maior patamar desde o início da série histórica.

Na prática, isso significa que, antes mesmo de o mês começar, uma parte significativa da renda já está comprometida, dificultando o equilíbrio do orçamento doméstico. O cenário atual é resultado de uma combinação de fatores como juros elevados, aumento do custo de vida, maior acesso ao crédito e mudanças recentes no comportamento financeiro do consumidor brasileiro.

Para Fellipe Rabelo, especialista em finanças da V2R Capital, o problema vai além da organização individual. “Cada real que o trabalhador brasileiro recebe, quase trinta centavos já estão comprometidos antes mesmo de abrir a carteira. Esse número não é apenas um dado isolado, mas o reflexo de um desequilíbrio estrutural que envolve crédito caro, baixa educação financeira e novas pressões sobre o orçamento”, afirma.

Além disso, o custo do crédito segue elevado. Em fevereiro de 2026, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a cerca de 62% ao ano, segundo o Banco Central.

O crescimento das apostas on-line é um fator recente que tem intensificado o endividamento. Levantamento da FIA Business School em parceria com o Ibevar aponta que as apostas já superam os juros como principal fator de endividamento no país.

Segundo o estudo, 39,5 milhões de brasileiros utilizaram plataformas de apostas no último ano, 19% comprometeram renda considerada essencial para sobrevivência e 17% deixaram de pagar contas básicas para jogar. “Parte da renda que deveria ser usada para despesas básicas está sendo direcionada para atividades de alto risco, o que agrava o desequilíbrio financeiro das famílias”, explica Rabelo.

Diante da escalada do endividamento, o Governo Federal lançou o Desenrola 2.0, nova fase do programa de renegociação de dívidas que busca ampliar o acesso dos brasileiros a condições mais favoráveis de pagamento. A medida surge em um momento de crescimento da inadimplência e de maior dificuldade das famílias para reorganizar o orçamento diante do crédito caro e do aumento do custo de vida.

Como sair do ciclo de dívida

O especialista aponta que apenas renegociar dívidas não resolve o problema se não houver mudança na gestão financeira. Para Rabelo, o caminho passa por reorganização e planejamento.

Entre as principais orientações estão:

• Mapear a renda e os gastos: entender para onde o dinheiro está indo;

• Priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos: como cartão de crédito e cheque especial;

• Evitar o pedido de crédito recorrente para despesas básicas; e

• Reduzir exposição a apostas e gastos impulsivos.

“Sem esse ajuste, o risco é de agravamento do ciclo de endividamento, e o crédito deixa de ser uma solução pontual para passar a agravar o problema”, afirma.

Fonte: Assessoria

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