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Degustações, produtos artesanais e contato direto com os produtores marcam a movimentação da Feira Sabores do Paraná em Paranavaí - Foto: Ivan Fuquini

EM PARANAVAÍ

Feira Sabores do Paraná valoriza quem transforma o campo em renda

Evento com mais de 30 produtores mostra a diversidade de produtos do campo e conta com uma programação voltada à agricultura familiar

Barracas, produtos artesanais à mostra e muita circulação de público marcam o início da 1ª edição da Feira Sabores do Paraná em Paranavaí. Com entrada gratuita, o evento segue até domingo (24), no Centro de Eventos, reunindo 32 produtores regionais e uma programação voltada à valorização da agricultura familiar.

Nas bancas o público encontra queijos, embutidos, chope artesanal, doces caseiros, mel, conservas e centenas de outros produtos do campo. Mais do que expor e vender, a proposta do evento é aproximar o consumidor de quem produz e mostrar a força da agroindústria familiar no Paraná.

Para o gerente regional do IDR-Paraná em Paranavaí, José Jaime de Lima, a feira funciona como vitrine para produtores que, muitas vezes, estão em municípios pequenos e não conseguem alcançar novos mercados com facilidade. Segundo ele, o evento abre espaço para a venda direta, fortalece o contato com o consumidor e ainda cria oportunidades de negócios que podem seguir ao longo do ano.

Na avaliação de Lima, a agroindústria também muda a lógica da renda no campo. Um produto que sairia da propriedade com valor menor ganha outro peso depois de transformado. É esse processo que ajuda o produtor a agregar valor ao que faz e melhorar a renda dentro da própria atividade rural.

José Jaime de Lima, gerente regional do IDR-Paraná, destaca a feira como vitrine para produtores e oportunidade de ampliar mercado para a agroindústria familiar – Foto: Ivan Fuquini

Esse movimento ajuda a explicar a importância dada ao setor. Segundo o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, a agricultura familiar representa 75% dos empreendimentos rurais do Paraná, o que faz da feira uma ação estratégica para o agronegócio paranaense.

Entre os expositores, a trajetória de Andreia Ferreira, da Puro Mel, de Paraíso do Norte, ajuda a mostrar essa transformação. Ela conta que começou pequena, com apenas dez caixas de abelhas. Hoje, trabalha com mais de 300. No caminho, a propriedade passou por um processo de reflorestamento e hoje tem 80% da área voltada à alimentação e proteção das abelhas.

Andreia Ferreira apresenta a produção da Puro Mel, agroindústria de Paraíso do Norte que aposta em manejo sustentável e certificação de qualidade – Foto: Ivan Fuquini

Segundo Andreia, a produção segue uma lógica sustentável, sem veneno e com aproveitamento integral. A cera é reutilizada para fazer velas artesanais, o mel que sobra não é desperdiçado e até a alimentação das abelhas é feita com o próprio mel. A agroindústria foi inaugurada em setembro do ano passado e já tem certificação SIP/POA, selo que atesta a regularização e a inspeção do produto.

Em Rondon, a cervejaria Colombo também nasceu dentro desse processo de agregar valor no meio rural. Silvia Aparecida Colombo lembra que tudo começou em 2017, quando o marido, Gilmar José Colombo, passou a produzir cerveja em casa. Depois vieram a formação como mestre cervejeiro, a regularização e a montagem da cervejaria em uma área rural. Hoje, o negócio trabalha com dez estilos de cerveja e já teve rótulo premiado duas vezes.

Silvia Aparecida Colombo representa a cervejaria de Rondon, que nasceu no meio rural e hoje produz diferentes estilos de chope artesanal – Foto: Ivan Fuquini

No caso do café, a industrialização aparece como saída para quem queria permanecer no campo com mais valor agregado. Claudinei de Carvalho Nunes, de Congonhinhas, no Norte Pioneiro, conta que deixou a lavoura por um período e foi trabalhar na construção civil. Depois, voltou ao café, viu a qualidade da produção ser reconhecida em concursos e decidiu lançar a própria marca.

Há cerca de três anos, ele passou a industrializar o produto. Segundo Claudinei, essa foi uma forma de aumentar a renda em uma pequena propriedade e também de despertar nos filhos o interesse em continuar na atividade. Hoje, o café leva selo de origem e rastreabilidade, o que, para ele, agrega valor e dá mais confiança ao consumidor.

Claudinei de Carvalho Nunes mostra como a industrialização do café ajudou a agregar valor à produção e fortalecer a renda na propriedade familiar – Foto: Ivan Fuquini

Além da comercialização, a Feira Sabores do Paraná também foi pensada como espaço de orientação e troca. A programação inclui palestras técnicas, rodas de conversa e conteúdos ligados à regularização, inovação, marketing e crescimento de pequenos negócios rurais.

A primeira edição no interior do estado coloca em evidência histórias de diversos produtores que saíram da matéria-prima para a industrialização, buscaram certificação, debravaram o mercado e encontraram uma forma de alavancar a renda no campo, proporcionando mais dignidade e qualidade à vida rural.

Fonte: Gabriel Trevisan - Da Redação

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