A região Noroeste está mobilizada para garantir o curso de Medicina em Paranavaí. Na manhã desta quarta-feira (27), lideranças se reuniram para debater o assunto e apontaram características que credenciam o município para a implantação. Depois da tentativa frustrada via governo federal, a aposta agora é que a demanda seja atendida na esfera estadual.
Para justificar a reivindicação, o presidente da Sociedade Civil Organizada do Paraná (Socipar), Demerval Silvestre, listou uma série de equipamentos dos quais o campus de Paranavaí da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) dispõe. Segundo ele, a estrutura garantiria custo zero para os cofres públicos pelo menos nos dois primeiros anos do curso.

Foto: Ivan Fuquini
Essa informação é importante porque contrapõe a estimativa de investimento inicial de R$ 23,1 milhões para contemplar o campus da Unespar de Apucarana, conforme anunciado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), que ainda não conta com instalações adequadas.
Ao falar sobre a unidade de ensino em Paranavaí, Silvestre destacou que o campus possui o Centro de Ciências, composto por três cursos de graduação consolidados em Paranavaí (Enfermagem, Educação Física e Ciências Biológicas) e um tecnólogo na extensão de Loanda (Gestão do Turismo).
Há também laboratórios de anatomia, enfermagem, ciências biológicas e avaliação física e espaço integrado de saúde. Além disso, os docentes efetivos dos cursos afetos possuem doutorado ou pós-doutorado e a maioria trabalha no regime de 40 horas semanais, com tempo de dedicação exclusiva.
Outro aspecto de relevância é que a Santa Casa de Paranavaí oferece sete cursos de residência médica e tem aprovação do Ministério da Educação (MEC) por cumprir todas as exigências técnicas. Vale ressaltar que o hospital do jardim Morumbi fica ao lado do campus da Unespar.
A parceria entre a Santa Casa, a instituição de ensino e o governo do estado poderia resultar, futuramente, na transformação da unidade em hospital universitário.

Foto: Ivan Fuquini
Mobilização
Após a reunião desta quarta-feira, a Socipar produzirá um documento contendo todas as informações necessárias para mostrar por que Paranavaí atende a todos os requisitos e, portanto, está apta a receber o curso de Medicina.
O compilado será apresentado ao governador Carlos Massa Ratinho Junior, a quem cabe a decisão sobre qual campus será contemplado.
A ideia é coletar assinaturas de representantes de diferentes entidades da sociedade civil, comprovando o anseio da comunidade de oferecer a graduação para a formação de médicos.
A mobilização deve ser semelhante àquela que garantiu a instalação da reitoria da Unespar em Paranavaí em 2015. À época, outras duas cidades pleiteavam a estrutura, Curitiba e Campo Mourão, ambas com campi universitários.
A Socipar também estuda meios para envolver toda a população do Noroeste do Paraná nesse debate, afinal, tanto a Unespar de Paranavaí quanto a Santa Casa atendem a moradores de 28 municípios, totalizando aproximadamente 300 mil habitantes.
Unespar
A assessoria de comunicação da Unespar informou ao Diário do Noroeste que Apucarana reivindica o curso de Medicina há anos, e a decisão foi governamental. “Como universidade estadual, executamos os projetos do governo do estado.” A escolha da instituição como mantenedora foi recebida com satisfação.
Sobre uma possível distribuição de vagas entre os dois campi, por exemplo, 20 para cada um, o que atenderia às demandas tanto de Apucarana quanto de Paranavaí, a instituição informou que seria necessário haver instalações do curso nas duas unidades, mas o governo do estado preferiu investir no campus de Apucarana.
Seti
Em nota ao Diário do Noroeste, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior informou que o governo autorizou a oferta do curso de Medicina em Apucarana no contexto da estratégia de descentralização da saúde, o que também aconteceu com a Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) em Cornélio Procópio.
De acordo com a Seti, as políticas públicas são implementadas como estratégia para otimizar a utilização de infraestruturas já disponíveis ou para promover o desenvolvimento de estruturas onde ainda não existem, mas se fazem necessárias.
“No caso dos cursos de Medicina, a decisão foi inspirada no mesmo critério: induzir a qualificação das estruturas e dos serviços de saúde na região de Apucarana e Cornélio Procópio, bem como induzir a melhoria das infraestruturas. Nada impede que esse movimento aconteça em Paranavaí no futuro.”




