Agora a coisa pegou
Tudo fácil em demasia
É só fornecer os dados
Que a IA logo cria
E cria com perfeição
Melhor que muito inventor
Imagens, músicas, contos
Cria, cria, cria, cria…
Cria projetos complexos
Instrumentos também cria
Cria cocadas de coco
E bolinhos de fubá
Foguetes que vão à lua
Submarinos no mar
Faz aberém da Bahia
Açaí do Maranhão
E o arroz carreteiro
Já pronto no caldeirão.
Mulher arranja marido
Homem arranja mulher
E tudo vem na bandeja
Prontinho com a colher.
A IA faz cego olhar
Não deixa o mudo calado
Ela faz subir aos céus
E faz cair no pecado.
Vem desenhos, mundos novos
Romances e poesias
Basta pensar um tiquinho
Sentar-se ao computador
Estar pronto e teclar
Que tudo sai bem-feitinho
O trabalho é tão perfeito
Não tem erro, não tem jeito
Dá mesmo pra enganar.
A IA já dá receitas
Dá sentenças e muito mais
Sobra em orientações
E aconselha casais
Mostra aonde deve ir
Mostra onde não ficar.
Faz de tudo e pouco mais
Deixando o povo pirado
E nesse ritmo tão louco
Onde se nasce cansado
Não precisa nem pensar
Basta falar com a máquina
E esperar um tantinho
Que a máquina tudo faz.
Faz homem bom ficar mau
Faz homem mau ficar bom
E nessa mista salada
Mexendo na refeição
O prato já vem bem feito
Até com filé mignon.
É a coisa mais maluca
Que até adulto se educa
De forma fácil, faceira
Por meios não tão normais.
Concluindo
É botar as mãos na massa
Dobrar as mangas da blusa
E construir as pirâmides
Mesmo que seja na chuva
Pois com IA entre os dedos
Não guarda nenhum segredo
É tudo fácil demais.



