A partida entre Brasil e Haiti, marcada para sexta-feira às 21h30 pela segunda rodada da Copa do Mundo, terá um significado especial para a comunidade haitiana de Paranavaí. Entre o orgulho de ver o país natal novamente no principal torneio do futebol mundial e a paixão construída pela Seleção Brasileira, os imigrantes vivem dias de expectativa para um confronto que mistura sentimentos.
O Diário do Noroeste conversou com dois representantes do União Haiti de Paranavaí, equipe de futebol de suíço existente há cerca de 15 anos, formada 100% por haitianos. Eles falaram sobre as expectativas para o duelo.
Isen Abreux Aura, presidente do União Haiti, admite que o coração está dividido, mas pende para o lado brasileiro. “Eu vou falar sincero para você. Não vou dizer que sou 100% Brasil, mas meu coração é para o Brasil. Desde criança eu torço para a Seleção Brasileira” afirmou.
O sentimento é compartilhado pelo diretor do União Haiti, Chedlin Noel. “Quem ganhar, vai ficar bom para nós. No Haiti, 80% da torcida é do Brasil. Vai ser uma festa para todo mundo”, disse.
Ambos também afirmam que qualquer resultado vai ser motivo de festa. Mas, Isen ressalta que uma derrota do Brasil seria frustrante.

(Foto: reprodução)
“Se o Haiti ganhar, eu vou ficar feliz. Mas se o Brasil ganhar, vou ficar mais feliz. Na minha mente, se o Brasil perder para o Haiti, vai ser uma decepção para o Brasil. Eu sou fã de muitos jogadores brasileiros e não gostaria de ver isso acontecer.”
A classificação do Haiti para a Copa do Mundo também foi recebida com emoção pelos haitianos que vivem em Paranavaí. Após mais de cinco décadas longe do principal torneio de seleções do planeta, a presença haitiana no Mundial é motivo de orgulho.
“Primeiramente, eu fiquei feliz. Depois de 52 anos, o Haiti voltou para a Copa do Mundo. Tem países que nunca participaram, mas o Haiti participou. Eu fico feliz de ver uma coisa dessa”, disse Isen.
Para Chedlin, a participação vai muito além do futebol. “É uma felicidade que não tem explicação. Depois de tanto tempo, você abre um jornal e vê o Haiti competindo. Todo mundo está feliz. É um momento que nunca vai ser esquecido. É um fato histórico.”
O diretor destaca ainda que a seleção haitiana tem conquistado respeito pela forma como compete diante de adversários com estruturas muito superiores.
“É um time que tem menos recursos, mas está respondendo. Com o pouco que tem, está respondendo. Todo mundo está feliz.”
Amizade
O esporte que nesta sexta-feira divide o coração de Isen e Chedlin é o mesmo que criou amizades e fortaleceu vínculos dos haitianos no Brasil.
“Nós já participamos de vários campeonatos. O futebol ajuda a criar amizade. Às vezes eu encontro pessoas que lembram dos jogos que fizeram contra nós anos atrás. Isso é um orgulho para mim”, contou Isen.

Morando no Brasil há cerca de dez anos, Isen afirma que encontrou em Paranavaí oportunidades que dificilmente teria em seu país de origem. Segundo ele, o Brasil trata bem os imigrantes e o que mais chama atenção é o atendimento prestado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Aqui todo mundo é tratado igual. Isso deixa a gente feliz.”
Para acompanhar o confronto entre Brasil e Haiti, a comunidade pretende se reunir para assistir à partida em grupo, repetindo uma tradição comum durante os jogos da Seleção Brasileira.
Expectativa
Fã declarado da Seleção Brasileira, Isen cita Vinícius Júnior, Rodrygo e Neymar entre seus jogadores preferidos e espera ver o Brasil levantar mais uma taça mundial.
“A única coisa que eu quero é ver o Brasil campeão. Aqui as pessoas gostam muito de futebol. Quando tem jogo da Seleção, para tudo. Quando o Brasil perde, eu quase nem consigo comer porque eu tenho muita paixão pela equipe.”




