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Mesmo com a implantação do sistema trifásico, mais seguro, o problema com o fornecimento de energia elétrica persiste — Foto: Ivan Fuquini

PREJUÍZOS

Constantes oscilações e quedas de energia elétrica preocupam produtores rurais de Paranavaí

Em conversa com o Diário do Noroeste, agricultores e pecuarista falaram das dificuldades que enfrentam no dia a dia em razão das instabilidades

As reclamações não param. Na área urbana como nas propriedades rurais, moradores, empresários e produtores de Paranavaí sofrem com as frequentes quedas e oscilações de energia elétrica. A instabilidade tem um preço: o prejuízo.

O citricultor José Luiz Povh afirma que o problema sempre existiu, mas se agravou nos últimos três ou quatro anos. 

Na tentativa de amenizar os efeitos, ele instalou o sistema trifásico, por meio do qual as ondas de tensão operam de forma paralela, garantindo a constância na potência da rede. “Mesmo assim, cai.”

A plantação de laranja de José Luiz fica na Estrada Olaria, na Gleba Jacareí, em Paranavaí. É onde mora Darlan Mary Aribard, que divide as terras entre plantações de laranja e mandioca. Conforme conta, já houve dias em que as interrupções no fornecimento de energia elétrica aconteceram de forma sequencial, em intervalos de 15 a 20 minutos.

Darlan está fazendo o projeto para implantar o sistema trifásico e, assim, espera ter mais segurança energética, mas segue cauteloso nos investimentos, pouco a pouco, afinal os custos para colocar o novo formato em operação são bastante elevados.

Darlan Mary Aribard relata que houve dias de interrupções continuadas – Foto: Ivan Fuquini

Diogo Meurer é mandiocultor e pecuarista. Segundo ele, as principais perdas com a falta de eletricidade são registradas na produção de leite, que depende, mais do que outras culturas, dos equipamentos de refrigeração para conservação. 

E esse não é o único revés. A pecuária leiteira utiliza equipamentos para a ordenha. Quando estão inoperantes, o processo se dá de forma manual, portanto se torna mais lento, e nem todas as vacas se adaptam ao contato direto com humanos. Sem a retirada, o animal fica sujeito à ocorrência de doenças como a mastite, uma inflamação da glândula mamária, geralmente causada por bactérias e fungos, comum com o empedramento do leite. Nesses casos, é necessário aplicar medicações e, em situações mais graves, fazer a retirada da teta afetada.

Diogo também cita as dificuldades enfrentadas por avicultores. A falta de refrigeração adequada nos barracões de frango pode provocar mortes em massa. O produtor rural exemplifica: em um lote com 50 mil pintinhos, cada um com custo de produção de R$ 10, o prejuízo seria de R$ 500 mil.

Diogo Meurer fala dos efeitos sobre a avicultura e a pecuária de leite – Foto: Ivan Fuquini

Cobrança – Relatos como esses não são isolados. Exatamente por isso, o vereador de Paranavaí Roberto Marrique apresentou um requerimento destinado à Copel, aprovado em plenário. No documento, ele faz uma série de questionamentos com base em reclamações feitas por moradores da zona rural.

Segundo o parlamentar, além das oscilações constantes, os paranavaienses estão insatisfeitos com “as interrupções prolongadas no fornecimento de energia, que frequentemente perduram por quatro, seis ou mais horas”.  

A preocupação gerou cobrança. Marrique pergunta se existe um diagnóstico técnico indicando deficiência de capacidade da rede, necessidade de substituição de equipamentos, ampliação de infraestrutura ou reforço do sistema de distribuição na região.

O vereador também cobra: “Existe planejamento específico para redução do número de interrupções registradas nas comunidades rurais?” e “qual o tempo médio de atendimento das ocorrências relacionadas à falta de energia em Paranavaí?”.

O documento já foi enviado à Copel e encaminhado para análise do setor competente. A empresa sinalizou que responderá às perguntas elencadas no requerimento.

Durante a sessão legislativa ordinária da última segunda-feira (29 de junho), o vereador Maurício Miranda reconheceu a importância da proposição feita por Marrique e externou a necessidade de aprimorar os serviços não só na área rural, mas também nos distritos de Paranavaí. 

Produtores dizem que o problema se agravou nos últimos anos – Foto: Ivan Fuquini

Copel – O Diário do Noroeste entrou em contato com a Copel, que enviou uma nota via assessoria de comunicação. O texto diz que o registro mais recente de atendimentos para restabelecer o fornecimento de energia na região da Gleba Jacareí data de 17 de maio, com interrupções causadas por danos à rede elétrica decorrentes de evento climático – naquele fim de semana o volume de chuva foi intenso e houve grande incidência de raios.

“A companhia reforça que tem atuado permanentemente em ações de manutenção da rede elétrica e em mutirões de poda de árvores para evitar o contato da vegetação com as linhas de transmissão e distribuição. Neste ano, a Copel fez a poda preventiva em mais de 8.300 árvores em Paranavaí.” Segundo a Copel, quedas de árvores e de galhos sobre a rede configuram a principal causa de oscilações momentâneas e de desligamentos em áreas rurais. 

Outra frente de ação é a fiscalização da geração distribuída à revelia, quando há a implantação de placas fotovoltaicas em maior número do que o aprovado em projeto junto à distribuidora. “Essa prática irregular causa sobretensão e danos à rede elétrica prejudicando a coletividade.”

Consta da nota enviada ao DN, que a empresa conta com o Copel Agro, formado por equipes dedicadas ao suporte prioritário para clientes da cadeia produtiva de proteína, caso do frango e do leite. Os trabalhos têm foco no primeiro atendimento para religamento ágil em casos de queda de energia.

“Como estratégia do Copel Agro, no reforço do primeiro atendimento, a Copel também está contratando eletricistas para o quadro próprio da empresa em regiões estratégicas.” Na macrorregião Noroeste do Paraná, são 24 vagas para Ubiratã, 14 para Campo Mourão e 10 para Cianorte. “A região de Paranavaí também está entre as áreas prioritárias para atendimento pelo programa com contratações futuras.”

Fonte: REINALDO SILVA - Da Redação

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