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⚽ VAI, BRASIL!
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Prof. Dr. Anderson Alarcon, advogado / @and.alarcon

ARTIGO

Nunca foi sobre o lugar

Viajar sempre foi uma das formas mais bonitas de ampliar horizontes. Conhecemos novas culturas, experimentamos sabores diferentes, ouvimos outros idiomas e descobrimos paisagens capazes de nos deixar sem palavras. Mas, com o tempo, percebi que as melhores lembranças de uma viagem raramente estão nos cartões-postais.

Mais do que a Torre Eiffel iluminada, fica na memória o beijo demorado. Mais do que o azul hipnotizante do Mar Tirreno, permanece a paz de contemplar a paisagem abraçado. As curvas da Costa Amalfitana e o vento de liberdade sobre uma velha Vespa têm seu encanto, mas é o recostar do rosto no ombro de quem amamos e o segurar firme das mãos que transformam o passeio em algo inesquecível.

Vivemos uma era em que os destinos ganharam status de conquista. Colecionamos carimbos no passaporte, disputamos as melhores fotografias e, muitas vezes, medimos experiências pela capacidade que elas têm de impressionar os outros. Quase sem perceber, corremos o risco de transformar momentos em vitrines e paisagens em troféus.

No entanto, basta um pouco de silêncio e honestidade para perceber que aquilo que verdadeiramente nos marca não é o lugar, mas a emoção que vivemos nele. Anos depois, talvez não nos lembremos do nome do restaurante, do número do quarto do hotel ou da fila enfrentada para visitar determinada atração. Mas dificilmente esqueceremos a conversa despretensiosa, o cafuné inesperado, o caminhar sem pressa ou o olhar cuidadoso de quem compartilhou aquele instante conosco.

Os lugares têm o poder de nos encantar, mas são as pessoas que lhes dão significado. Afinal, uma mesma paisagem pode parecer comum ou extraordinária, dependendo de quem está ao nosso lado. O cenário é importante, mas é a companhia que colore a memória.

Em tempos de conexões instantâneas e relações apressadas, talvez valha a pena inverter a lógica. Antes de pensar no próximo destino, deveríamos pensar em quem ocupará o assento ao nosso lado. Porque a vida, assim como as viagens, é feita menos de coordenadas geográficas e mais de encontros.

No fim das contas, nunca foi sobre o onde. Sempre foi sobre o com quem. Porque a felicidade, para ser completa, precisa ser compartilhada.

Fonte: Anderson Alarcon

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