Quem utiliza a rede pública de saúde sabe que é preciso ampliar os serviços médicos e garantir maior volume de procedimentos de média e alta complexidade. Os dois problemas exigem respostas rápidas, mas não são os únicos que comprometem a qualidade do atendimento à população de Paranavaí.
Na semana passada, durante a 16ª Conferência Municipal de Saúde, usuários, trabalhadores, prestadores de serviços e gestores se reuniram para discutir necessidades e buscar soluções. O evento terminou com uma lista de propostas que serão apresentadas aos governos municipal, estadual e federal, a fim de que sejam transformadas em políticas públicas.
De acordo com o vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS) Arnoldo Luiz Victor, houve avanços importantes na percepção dos pacientes quanto às deficiências do Sistema Único de Saúde (SUS) e de que forma podem ser supridas. “As pessoas estão mais conscientes.”
O amadurecimento da população acompanha os avanços que o próprio SUS tem dado ao longo dos últimos anos, mas ainda é possível chegar mais longe, como ficou comprovado na conferência municipal, com cada segmento apontando formas de aprimorar os serviços.

Foto: Conselho Municipal de Saúde
Os usuários, por exemplo, sugeriram a descentralização da coleta de exames laboratoriais, com alcance, inclusive, nos distritos. Também pediram que o governo federal amplie o financiamento para a construção de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), de modo que os projetos arquitetônicos considerem as características epidemiológicas e territoriais de cada região.
Entre os trabalhadores de saúde, uma das demandas é que haja investimento permanente em educação, capacitação e qualificação dos profissionais de odontologia no âmbito do SUS.
Os prestadores elencaram questões como incentivo financeiro governamental para custeio dos consórcios intermunicipais, atualização dos valores da tabela SUS para consultas, exames e procedimentos e repasse de recursos para a aquisição de equipamentos destinados a ambulatórios.
Dentro do segmento gestor, a indicação foi ampliar o financiamento para exames laboratoriais e diagnósticos de média e alta complexidade, consultas especializadas e cirurgias eletivas, visando a reduzir o tempo de espera dos pacientes.
Conforme explicou o vice-presidente do CMS, as propostas concernentes à esfera municipal serão incorporadas ao programa de governo plurianual, com aplicação ao longo do próximo quadriênio. A mesma regra valerá para as listas de reivindicações a serem aprovadas nas conferências Estadual e Nacional.
Cabe ao conselho fazer o devido acompanhamento e certificar que todas as deliberações estão sendo postas em prática. A regra é a mesma para outras ações da Secretaria de Saúde, ou seja, sempre que a administração municipal decide fazer investimento, precisa do aval do conselho, por exemplo, para aquisição de insumos, contratação de profissionais e reforma ou construção de unidades de saúde.




