O secretário de Esportes de Terra Rica, no noroeste do Paraná, foi preso na manhã dessa quinta-feira (9) por descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça durante a investigação que apura desvio de dinheiro público no município. A prisão é um novo desdobramento da operação realizada na semana passada, quando a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, afastou os investigados dos cargos públicos por 180 dias e determinou outras restrições.
Segundo a delegada Daniele Trajano, o secretário descumpriu várias dessas medidas impostas, entre elas a proibição de manter contato com servidores e testemunhas, o que levou ao pedido de prisão preventiva.
Nesta sexta-feira (10), foi publicado no Diário Oficial do Município a exoneração do secretário e da diretora de Esportes.
Sobre o caso – de acordo com a investigação, o secretário e outro servidor são suspeitos de movimentar em contas particulares valores que deveriam ter sido repassados aos cofres do município. A apuração aponta que recursos de patrocínios, anúncios e aluguel de espaços públicos teriam sido recebidos fora dos canais oficiais da administração.
Segundo o delegado Thiago Vicentini de Oliveira, titular da Divisão Estadual de Combate à Corrupção – Núcleo Maringá, o secretário é suspeito de receber para si valores ligados ao aluguel de espaços publicitários no ginásio de esportes desde setembro de 2024. Ainda conforme a polícia, esses espaços eram alugados sem licitação ou outro processo público de escolha, e o dinheiro chegava ao investigado por meio de depósitos em conta, pagamentos em dinheiro e desconto de cheques.
Na primeira fase do caso, a corporação também apontou suspeita de uso de bens públicos para favorecer uma empresa privada.
Procurada pelo Diário do Noroeste, a defesa do secretário afirmou, em nota assinada pelo advogado Kim Rafael Serena Antunes, que recebeu a prisão “com absoluta surpresa” e sustentou que ele “jamais descumpriu qualquer medida cautelar”. A defesa também disse que houve violação ao devido processo legal. Veja a nota na íntegra:
“A notícia da prisão preventiva de Celso Vinícius Gimenes Azoia foi recebida com absoluta surpresa, uma vez que ele jamais descumpriu qualquer medida cautelar que lhe foi imposta.
A prisão desconsiderou prévia manifestação da defesa, em manifesta violação ao devido processo legal e ao direito ao contraditório, acarretando sua absoluta nulidade, o que certamente será reconhecido.
Celso tem sido vítima de recorrentes ataques de cunho político, amparados em factoides e inverdades, episódios já formalmente registrados em Boletim de Ocorrência.
A defesa mantém plena confiança de que sua inocência será integralmente comprovada e sua liberdade restabelecida.”



