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Antonio Alleoni Corrêa de Godoy é físico, teólogo e autor do livro “A canção do planeta prometido”

OPINIÃO

O falso conflito entre ciência e religião

Já dizia Albert Einstein: “A ciência sem a religião é paralítica. A religião sem a ciência é cega”. O que motivava os cientistas de outrora? O que desejavam? Queriam, na verdade, desvendar o universo de Deus!

Cientistas como Isaac Newton, Johannes Kepler e G. W. Leibniz viam na pesquisa uma maneira de entender o divino. O paleontólogo e jesuíta Teilhard de Chardin procurou a vida toda unir ciência e religião.  Em suas palavras: “O Universo, considerado em seu conjunto, tem um fim e não pode errar de direção, nem parar no caminho”.  Para ele, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no Final dos Tempos. Não vivemos num universo dominado pelo acaso.

Segundo a mecânica quântica, todas as partículas estão interligadas, formando uma unidade. Aqui temos o acaso científico sendo desafiado! Essa é uma visão mística e religiosa. “Quer queiramos, quer não, estamos todos ligados a tudo o que nos circunda, com todas as fibras de nosso ser”. Palavras do jesuíta que queria unir, e não separar.

Atualmente, físicos como Amit Goswami e Menas Kafatos procuram unir ciência e espiritualidade e até mesmo o físico brasileiro Marcelo Gleiser está caminhando nesse sentido. C. G. Jung, ao contrário de Freud, legitimava o impulso religioso do homem. Para Jung, existe dentro de nós uma imagem de Deus e Santo Agostinho dizia algo parecido.  “O Reino de Deus está dentro de vós”, falava Jesus.

O Papa João Paulo II, uma vez por ano, reunia no Vaticano os maiores astrofísicos e filósofos do mundo com o objetivo de discutir questões como a origem do universo. Jung conversou muito com o Prêmio Nobel de Física Wolfgang Pauli. Eles aproximaram a psicologia e a física quântica que nos mostra a nossa espiritualidade. Segundo a mesma física, a consciência humana tem participação ativa na construção da própria realidade.  Ao olharmos para uma partícula como o elétron, mudamos o seu comportamento.

Joseph Campbell dizia que os mitos universais apontam para aquilo que vai além: apontam para o transcendente. Outrora, os homens elaboravam histórias para poder entender e explicar esse universo maravilhoso e aterrador. 

Então surgiu a ciência empírica. Gradualmente os cientistas foram deixando de lado a religião até banirem completamente Deus. Mas agora muitos deles já estão percebendo que não é possível explicar o universo abandonando completamente a hipótese Deus. Toda disputa entre ciência e religião não terá futuro se dependermos da nova ciência espiritualista que está surgindo. Precisamos urgentemente unir os conhecimentos humanos.

Fonte: *Antonio Alleoni Corrêa de Godoy

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