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Silmara Casadei é doutora em Educação, psicanalista e escritora, autora de O Pequeno Mundo Criativo

DESCONECTAR PARA CONVIVER

Como reduzir o tempo de tela nas férias

As férias escolares, que deveriam representar um período de descanso, descobertas e convivência familiar, vêm se transformando em uma maratona de telas para muitas crianças.  

Sem a rotina da escola e diante da dificuldade de conciliar trabalho e cuidados com os filhos, pais e responsáveis recorrem a celulares, tablets e televisores como uma solução prática para preencher o tempo livre. O problema é que essa dependência crescente pode ter impactos importantes no desenvolvimento infantil. 

Diversos estudos associam o excesso de exposição aos dispositivos digitais a prejuízos na linguagem, na atenção, na qualidade do sono e na interação social, especialmente nos primeiros anos de vida. A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças pequenas tenham o momento sedentário diante de telas bastante limitado e destaca a importância de atividades físicas, brincadeiras e interações reais para um desenvolvimento saudável. 

No entanto, a solução não está em simplesmente proibir os eletrônicos. Retirar o tablet sem oferecer alternativas costuma gerar conflito e frustração. A questão central é substituir o período de conexão por experiências mais significativas. 

As férias são uma oportunidade valiosa para isso. Criar uma agenda de possibilidades como viagens em família ou, mesmo se não conseguir pausar o trabalho, elaborar uma programação que as motive, fortalecem vínculos humanos, boa convivência e bem-estar emocional.  

Brincadeiras e esportes ao ar livre, dia da culinária, do cinema, da montagem de brinquedos a partir do reaproveitamento de materiais, dos passeios culturais, do piquenique no parque, da leitura, jogos de tabuleiro, práticas artísticas e até a participação em tarefas domésticas estimulam o entusiasmo, a criatividade, a autonomia e habilidades socioemocionais. São experiências que nenhum algoritmo consegue reproduzir. 

Outro ponto fundamental é o exemplo dos adultos. É difícil convencer uma criança a largar o celular quando os próprios pais passam grande parte do dia conectados. O uso saudável da tecnologia começa dentro de casa, com regras claras para toda a família e momentos de convivência livres de dispositivos. 

Também é importante abandonar a ideia de que a tecnologia é a vilã da história. A Academia Americana de Pediatria tem enfatizado que a qualidade do uso importa tanto quanto a quantidade. O desafio não é eliminar as telas, mas equilibrá-las com atividades que promovam aprendizado, movimento, gerem memórias afetivas a partir do contato com o mundo real. 

A infância é um período curto demais para ser vivida apenas no campo virtual. Ao final das férias, dificilmente uma criança lembrará das horas gastas assistindo vídeos ou deslizando o dedo no celular. Mas ela certamente guardará na memória a diversão em família, o passeio de bicicleta, a cabana montada na sala, o cineminha feito em casa com pipoca, a receita preparada em família, a descoberta de um novo mundo dentro de um livro, ou a aventura na natureza. 

É importante destacar que o estudo pessoal não deve ser esquecido. Antes de voltar às aulas, é bom realizar uma revisão, praticar exercícios e algumas leituras para ativar a mente e prepará-la para o retorno escolar. 

Acredito que o maior desafio das férias escolares não seja ocupar o tempo das crianças: o essencial é ajudá-las a redescobrir que a vida acontece muito além do ambiente digital, com criatividade e vivências especiais. Enquanto isso, nós, adultos, reaprendemos a ser mais presentes também. As férias escolares, que deveriam representar um período de descanso, descobertas e convivência familiar, vêm se transformando em uma maratona de telas para muitas crianças.  

Sem a rotina da escola e diante da dificuldade de conciliar trabalho e cuidados com os filhos, pais e responsáveis recorrem a celulares, tablets e televisores como uma solução prática para preencher o tempo livre. O problema é que essa dependência crescente pode ter impactos importantes no desenvolvimento infantil. 

Diversos estudos associam o excesso de exposição aos dispositivos digitais a prejuízos na linguagem, na atenção, na qualidade do sono e na interação social, especialmente nos primeiros anos de vida. A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças pequenas tenham o momento sedentário diante de telas bastante limitado e destaca a importância de atividades físicas, brincadeiras e interações reais para um desenvolvimento saudável. 

No entanto, a solução não está em simplesmente proibir os eletrônicos. Retirar o tablet sem oferecer alternativas costuma gerar conflito e frustração. A questão central é substituir o período de conexão por experiências mais significativas. 

As férias são uma oportunidade valiosa para isso. Criar uma agenda de possibilidades como viagens em família ou, mesmo se não conseguir pausar o trabalho, elaborar uma programação que as motive, fortalecem vínculos humanos, boa convivência e bem-estar emocional.  

Brincadeiras e esportes ao ar livre, dia da culinária, do cinema, da montagem de brinquedos a partir do reaproveitamento de materiais, dos passeios culturais, do piquenique no parque, da leitura, jogos de tabuleiro, práticas artísticas e até a participação em tarefas domésticas estimulam o entusiasmo, a criatividade, a autonomia e habilidades socioemocionais. São experiências que nenhum algoritmo consegue reproduzir. 

Outro ponto fundamental é o exemplo dos adultos. É difícil convencer uma criança a largar o celular quando os próprios pais passam grande parte do dia conectados. O uso saudável da tecnologia começa dentro de casa, com regras claras para toda a família e momentos de convivência livres de dispositivos. 

Também é importante abandonar a ideia de que a tecnologia é a vilã da história. A Academia Americana de Pediatria tem enfatizado que a qualidade do uso importa tanto quanto a quantidade. O desafio não é eliminar as telas, mas equilibrá-las com atividades que promovam aprendizado, movimento, gerem memórias afetivas a partir do contato com o mundo real. 

A infância é um período curto demais para ser vivida apenas no campo virtual. Ao final das férias, dificilmente uma criança lembrará das horas gastas assistindo vídeos ou deslizando o dedo no celular. Mas ela certamente guardará na memória a diversão em família, o passeio de bicicleta, a cabana montada na sala, o cineminha feito em casa com pipoca, a receita preparada em família, a descoberta de um novo mundo dentro de um livro, ou a aventura na natureza. 

É importante destacar que o estudo pessoal não deve ser esquecido. Antes de voltar às aulas, é bom realizar uma revisão, praticar exercícios e algumas leituras para ativar a mente e prepará-la para o retorno escolar. 

Acredito que o maior desafio das férias escolares não seja ocupar o tempo das crianças: o essencial é ajudá-las a redescobrir que a vida acontece muito além do ambiente digital, com criatividade e vivências especiais. Enquanto isso, nós, adultos, reaprendemos a ser mais presentes também. 

Fonte: *Silmara Casadei

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