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ARTIGO

Papai, te amo. Beijos

Quando eu era adolescente e ia visitar tios no nordeste, sempre fiquei impressionado com o jeito que minha tia tratava seus filhos, ela no alto de seus 70 anos e seus filhos no alto de seus 50. E os filhos como tratavam seus filhos, filhos de seus filhos, e avós e netos. Conversavam por telefone ou pessoalmente algumas vezes no dia, e sempre, em todas as vezes, começavam ou terminavam os diálogos com imenso afeto, e com sonoros “tenho tanto orgulho de você, beijos te amo, te amo muito” e por aí vai.

Aquilo me impressionava, confesso. Não importa se se falavam 10 vezes ao dia, o afeto se repetia, do neto de 5 anos ao pai dos netos de 60 anos; aos avós de 80.

Pensava comigo, que coisa bonita era aquele afeto entre eles, e manifestava ao universo minha meta desejo de também me relacionar assim com meus filhos se e quando um dia os tivesse.

O tempo passou, a agenda, as responsabilidades, a correria e as cobranças cada vez maiores de nosso tempo, agravado pela velocidade das coisas e excesso das telas que acabam nos engolindo e tragando sem dó, confesso que acabei me esquecendo, com as memórias ainda mais arrefecidas especialmente porque as visitas aos tios do nordeste e aquele ambiente foram se tornando cada vez mais raras, e as memórias ali guardadas num canto escondido na sala do coração.

Ontem, no final da tarde, lá pelo áudio número 45 do dia, das dezenas de áudios diários trocados com minha filha nessas telas que nos tragam pela tecnologia que afasta mas que também aproxima, me lembrei desse desejo antigo apresentado a Deus ao ouvir, no final da mensagem de Monalisa, a frase “beijo papai; te amo muito”.

E percebi que não importa se é a mensagem 1 das 6h da manhã ou se é a mensagem 47 das 22h40, ela sempre começa e ou geralmente termina com esse afeto.

Sorri internamente, parei por um instante. Agradeci! Por um momento desliguei as telas, fechei os olhos, respirei, e curti o momento pensando naquilo.

Notei que nunca jamais comentei sobre isso dos tios do nordeste com meus filhos, tampouco exigi algo parecido, muito menos eu seja dado a essas demonstrações faladas tão repetidas a cada momento do dia, embora seja eu afetuoso com eles, creio eu, com presença, orações, pensamentos, e… palavras. Não tantas, mas sim, palavras.

Não pude parar de pensar sobre aquilo que desejamos, manifestamos ao universo, pedimos e entregamos a Deus, semeamos e, atraímos.

Desejo que nossos e seus manifestos, desejos, orações, atos e pensamentos sigam sendo bons, leves, alegres e afetuosos, e que diariamente possamos fechar os olhos por um instante, respirar mais fundo e devagar, desligar um pouco, sair do automatismo e contemplar com gratidão. Agradecer. A graça de ser. A Graça descer.

Papai também vos ama muito, meus filhos. Mais que a mim mesmo. Beijos.

(Texto enviado no dia 3 de julho)

Anderson Alarcon, advogado

@and.alarcon

Fonte: *Anderson Alarcon

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