Dezenas de pessoas caminharam pelas ruas do centro de Paranavaí nesta quarta-feira (22) para chamar a atenção para uma violência que, muitas vezes, se desenvolve de forma silenciosa, dentro de casa e longe dos olhos de familiares e vizinhos. A Caminhada do Meio-Dia surgiu após o assassinato da advogada Tatiana Spitzner, em 2018, em Guarapuava, e marca o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio no Paraná.
Para a secretária de Assistência Social, Mulher e Família, Letícia Leziane, a mobilização mantém o tema no debate público. “Precisamos promover ações de conscientização e contar com a participação de toda a sociedade”, declarou a secretária.
Em Paranavaí, mulheres que enfrentam situações de violência podem ser acompanhadas por uma rede formada por diferentes serviços públicos. Na Assistência Social, o atendimento é feito pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), que oferece acompanhamento psicossocial e avalia as medidas necessárias para garantir a segurança da vítima.

Como o município não possui uma casa pública de acolhimento, elas podem ficar temporariamente em hotéis, ser direcionadas a familiares ou receber passagens para outra cidade. O atendimento também envolve a Delegacia da Mulher e o Numap, responsável pelo apoio psicológico e jurídico das vítimas.
Vítima– A Caminhada do Meio-Dia ocorre cerca de um mês após o assassinato de Geovana Gabriela da Silva, de 26 anos, encontrada sem vida em casa, no Jardim Ipê, no dia 21 de junho. O caso foi registrado inicialmente como possível suicídio, mas a investigação concluiu o inquérito como feminicídio.
A assistente social e coordenadora do Cras Jardim Maringá, Ana Karoline da Silva Nascimento, recordou da morte de Geovana durante a mobilização.
“Foi um caso muito triste, que gerou bastante comoção aqui na cidade. Estamos aqui protestando pela vida dessa mulher, mas também para evitar que muitas outras vidas sejam ceifadas por esse crime.”

A orientadora de trânsito, Lucimara Aguiar, destacou que o problema atinge diferentes realidades sociais. “Isso pode estar acontecendo ao nosso lado, sem que a gente perceba.”

Busque ajuda– Desde 2022, Paranavaí registrou seis feminicídios. Houve ainda cinco tentativas em 2023, quatro em 2024, quatro em 2025 e duas em 2026, segundo a Delegacia da Mulher.
No começo da caminhada, Letícia Leziane fez um apelo para que as vítimas procurem ajuda nos serviços municipais e nos canais de denúncia.
“Eu digo a todas as mulheres: basta. Basta de violência contra a mulher. Denunciem e procurem os nossos equipamentos. Não se sintam sozinhas, porque estamos todas juntas na proteção às mulheres.”
Para o combate aos crimes, o país oferece três principais formas de denúncia. São eles: o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), o Disque 100 (Direitos Humanos) e o 190 (Polícia Militar).
Em Paranavaí, você também pode procurar o Centro de Referência Especializado em Assistência Social do município de Paranavaí-PR. (44) 3902-1017 (fixo e whats).



