A violência contra a mulher não começa com agressão, mas quando uma piada machista é normalizada, um amigo controla a parceira e ninguém interfere, o desrespeito é tratado como “coisa de casal”, ou mesmo quando o silêncio vale mais do que a coragem de se posicionar. O Agosto Lilás é um convite para lembrar que enfrentar esse problema não é uma responsabilidade exclusiva delas, mas um compromisso de toda a sociedade, inclusive dos homens.
Em Eu não tenho lugar de fala, o doutor em Direito e pós-doutor em Filosofia, Francisco Vilas Boas propõe uma reflexão importante: eles não precisam falar pelas mulheres, mas precisam assumir uma postura proativa contra o machismo. Para o autor, ser aliado significa ouvir quem historicamente foi silenciada e usar a própria voz para romper a cultura que sustenta a desigualdade e o abuso.
O enfrentamento começa nas atitudes cotidianas, muito antes de um caso chegar às páginas policiais. Confira cinco atitudes que todo homem pode adotar ajudar nessa mudança.
1. Não trate o machismo como brincadeira
Piadas, comentários que objetificam mulheres e discursos que diminuem sua capacidade ajudam a perpetuar uma cultura de violência. Como destaca o especialista, a liberdade de expressão nunca pode servir de justificativa para práticas que humilham, intimidam ou reforçam preconceitos.
2. Tenha coragem de confrontar outros homens
O silêncio entre amigos, familiares e colegas é uma das maiores formas de conivência. Quando um comportamento abusivo é ignorado, ele ganha espaço para continuar. Romper essa lógica exige posicionamento, mesmo quando é desconfortável.
3. Escute as mulheres antes de querer responder por elas
Segundo Francisco Vilas Boas, o papel do aliado não é ocupar o protagonismo da luta, mas ampliar as vozes que foram historicamente silenciadas. Antes de opinar, é preciso ouvir, compreender e reconhecer experiências que não são suas.
4. Questione privilégios e comportamentos naturalizados
O machismo não está apenas em casos extremos. Ele também aparece quando homens acreditam que determinados espaços, decisões ou oportunidades lhes pertencem naturalmente. Mudar essa lógica começa pelo reconhecimento de que igualdade não significa perda de direitos, mas justiça.
5. Eduque pelo exemplo
Filhos, sobrinhos, alunos e colegas aprendem mais com atitudes do que com discursos. Demonstrar respeito, dividir responsabilidades, rejeitar atitudes violentas e defender relações baseadas na igualdade contribui para quebrar um ciclo que atravessa gerações.
Mais do que uma campanha de conscientização, o Agosto Lilás deve servir como um chamado à responsabilidade. Enquanto a violência contra as mulheres continuar sendo tratada como um problema apenas delas, a mudança será insuficiente. Homens têm lugar nessa conversa, não para conduzi-la, mas para assumir sua parte na transformação.




