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*Renato Benvindo Frata é advogado e professor, presidente da honra da Academia de Letras e Artes de Paranavaí - Alap

ESPAÇO ALAP

ALAP – 18 anos

Ele não plantava batatas

Não, ele não plantava batatas. Mas era descendente de um maragato das bandas do Vale do Tibagi, onde se plantam muitas delas.

Sabido, enveredou por outros caminhos e teve um começo promissor: o de locutor, em rádio do interior. Itararé, a cidade “pedra escavocada”, no dizer dos bugres. Lá no interiorzão de São Paulo.

Maneiro no olhar e no falar, falava. O dia todo. Na voz do “Diabo Branco” – apelido que ganhou por fazer diabruras com a voz. Até que encontrou o rumo dos tropeiros e se arribou com a cangalha para Curitiba, onde escolheu acampar. E acampou na Rádio Clube Paranaense, com programas esportivos. Também na Fundação Cásper Líbero, como jornalista.

Como se graduou em Direito pela Universidade Federal do Paraná, entrou para a política e deixou o rádio. Mas não de ser o “Diabo Branco”. Falava agora como deputado estadual, logo tornado líder de bancada, e depois deputado federal.

Secretário de Estado da Justiça, procurador-geral do Tribunal de Contas, era, no sentido mais bonito da palavra, escritor. De jornal e de livros. Na Gazeta do Povo escreveu O Maragato: a vida lendária de Telêmaco Borba; Laertes Munhoz: o mestre sublime; O Conselheiro Zacarias; O Juiz Integral. Mas sua obra inteira é bem maior. Bem maior.

E aí se tornou presidente da Academia Paranaense de Letras. E gostou tanto que só saiu por complicações de saúde. Coisa que a vida constrói e, também, põe fim.

Em março de 2007 ele mandou para cá, de Maringá, um amigo seu: Antônio Facci, presidente da Academia de Letras de lá. Ele veio conversar. E conversa vai, conversa vem, deixou plantada bem aqui, junto de nós, gente ligada às letras e à educação, uma horta. Um protótipo dela. E não há de ver que a horta era de pepinos? Aí se comprova que o querido Túlio Vargas não plantava batatas. Plantava hortas. Distribuía aqui, ali, acolá. E deixava para os amigos cuidarem.

Essa horta dá trabalho. Mas virou como aquela pinga que arde no primeiro gole e depois a gente aprende a gostar.

Seu apelido? Academia de Letras e Artes de Paranavaí. E coube a mim, com a companheirada, elaborar seus canteiros, deitar-lhes as sementes, cultivar os brotos e regar. Hoje está aí, com 18 anos, a produzir cultura.

Dia 29 de agosto deste ano ela ganhou maioridade. Dia de festa para nós. E o engraçado dessa história é que ela não dá só pepinos. Dá também poesia, música, cantoria, crônica e conto. Dá conforto, inspiração, amizade, respeito. Tudo pendurado nas ramas das plantas, a produzir maravilha. E, claro, vida sadia. Sabe por quê?

Porque a turma é de primeira. Pega no rabo da irara e sai por aí rastelando. Rastelando versos, podando galhos de contos, afinando vozes de cantos, escavando histórias pra contar. E conta. Aí vira poesia e cultura.

Fonte: Renato Benvindo Frata

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