Não, ele não plantava batatas. Mas era descendente de um maragato das bandas do Vale do Tibagi, onde se plantam muitas delas.
Sabido, enveredou por outros caminhos e teve um começo promissor: o de locutor, em rádio do interior. Itararé, a cidade “pedra escavocada”, no dizer dos bugres. Lá no interiorzão de São Paulo.
Maneiro no olhar e no falar, falava. O dia todo. Na voz do “Diabo Branco” – apelido que ganhou por fazer diabruras com a voz. Até que encontrou o rumo dos tropeiros e se arribou com a cangalha para Curitiba, onde escolheu acampar. E acampou na Rádio Clube Paranaense, com programas esportivos. Também na Fundação Cásper Líbero, como jornalista.
Como se graduou em Direito pela Universidade Federal do Paraná, entrou para a política e deixou o rádio. Mas não de ser o “Diabo Branco”. Falava agora como deputado estadual, logo tornado líder de bancada, e depois deputado federal.
Secretário de Estado da Justiça, procurador-geral do Tribunal de Contas, era, no sentido mais bonito da palavra, escritor. De jornal e de livros. Na Gazeta do Povo escreveu O Maragato: a vida lendária de Telêmaco Borba; Laertes Munhoz: o mestre sublime; O Conselheiro Zacarias; O Juiz Integral. Mas sua obra inteira é bem maior. Bem maior.
E aí se tornou presidente da Academia Paranaense de Letras. E gostou tanto que só saiu por complicações de saúde. Coisa que a vida constrói e, também, põe fim.
Em março de 2007 ele mandou para cá, de Maringá, um amigo seu: Antônio Facci, presidente da Academia de Letras de lá. Ele veio conversar. E conversa vai, conversa vem, deixou plantada bem aqui, junto de nós, gente ligada às letras e à educação, uma horta. Um protótipo dela. E não há de ver que a horta era de pepinos? Aí se comprova que o querido Túlio Vargas não plantava batatas. Plantava hortas. Distribuía aqui, ali, acolá. E deixava para os amigos cuidarem.
Essa horta dá trabalho. Mas virou como aquela pinga que arde no primeiro gole e depois a gente aprende a gostar.
Seu apelido? Academia de Letras e Artes de Paranavaí. E coube a mim, com a companheirada, elaborar seus canteiros, deitar-lhes as sementes, cultivar os brotos e regar. Hoje está aí, com 18 anos, a produzir cultura.
Dia 29 de agosto deste ano ela ganhou maioridade. Dia de festa para nós. E o engraçado dessa história é que ela não dá só pepinos. Dá também poesia, música, cantoria, crônica e conto. Dá conforto, inspiração, amizade, respeito. Tudo pendurado nas ramas das plantas, a produzir maravilha. E, claro, vida sadia. Sabe por quê?
Porque a turma é de primeira. Pega no rabo da irara e sai por aí rastelando. Rastelando versos, podando galhos de contos, afinando vozes de cantos, escavando histórias pra contar. E conta. Aí vira poesia e cultura.



