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SEGURANÇA

Mobilização nacional coleta 28 amostras de DNA no Paraná, com participação de Paranavaí

Ação realizada pela Polícia Científica e Polícia Civil buscou ampliar identificação de pessoas desaparecidas por meio de vínculos genéticos

Paranavaí esteve entre os municípios paranaenses que participaram da Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, realizada na última semana. A ação foi promovida pela Polícia Científica do Paraná (PCIPR) em conjunto com a Polícia Civil do Paraná (PCPR) e teve como objetivo ampliar os bancos de perfis genéticos utilizados na identificação de pessoas desaparecidas.

Ao longo de cinco dias de mobilização, foram coletadas 28 amostras de DNA nas unidades da Polícia Científica do Paraná. Além de Paranavaí, a procura pelo serviço foi registrada em Curitiba, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Jacarezinho, Londrina, Umuarama, Guarapuava, Loanda, Cascavel e Campo Mourão.

A mobilização, no entanto, não encerra a possibilidade de coleta. Familiares que não conseguiram comparecer durante o período da campanha ainda podem fornecer material genético. O procedimento é gratuito, rápido e indolor e pode ser realizado por peritos oficiais, por meio de um cotonete passado na parte interna da bochecha.

DNA pode ajudar a identificar desaparecidos

As amostras coletadas são inseridas nos bancos de perfis genéticos e podem ser comparadas continuamente com perfis de pessoas não identificadas, vivas ou falecidas, cadastrados nos bancos locais e nacionais.

O objetivo é encontrar possíveis vínculos de parentesco entre o material fornecido pelos familiares e perfis genéticos de pessoas cuja identidade ainda não foi confirmada. Por isso, a participação das famílias é considerada fundamental para ampliar as possibilidades de identificação.

Sempre que possível, a orientação é priorizar familiares de primeiro grau. A ordem de preferência estabelecida pela Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos é pai e/ou mãe biológicos; filhos biológicos e o outro genitor; e irmãos biológicos, filhos da mesma mãe e do mesmo pai. Quando não há possibilidade de coleta desses parentes, outros familiares também podem ser avaliados.

A família também não precisa necessariamente residir na cidade onde ocorreu o desaparecimento. Caso tenha mudado de município ou estado, basta informar, no momento da coleta, o local de origem da ocorrência para que os dados sejam registrados corretamente.

Material também fortalece investigações

Além da identificação de pessoas desaparecidas, o trabalho com perfis genéticos pode contribuir diretamente para investigações criminais. A existência de amostras nos bancos permite cruzamentos que podem relacionar diferentes ocorrências e fornecer novos caminhos para a Polícia Civil.

Um exemplo é a investigação de um homicídio em que a vítima é encontrada, mas permanece sem identificação. Sem saber quem é a pessoa, os investigadores podem ter dificuldade para levantar informações sobre sua rotina, relacionamentos, hábitos e possíveis circunstâncias que a levaram até o local onde foi encontrada.

Ao mesmo tempo, outra equipe policial pode estar investigando o desaparecimento de uma pessoa. Caso o exame genético confirme que se trata da mesma vítima, as informações reunidas durante a investigação do desaparecimento passam a integrar a apuração do homicídio.

Esse cruzamento pode ajudar a esclarecer circunstâncias da morte, apontar possíveis motivações, identificar pessoas relacionadas ao caso e indicar novos caminhos para chegar à autoria.

Paraná tem 25 anos de atuação em genética forense

A Seção de Genética Molecular Forense da Polícia Científica do Paraná iniciou suas atividades em 2001, com a inauguração e emissão dos primeiros laudos. Desde então, a utilização da tecnologia passou a integrar diferentes frentes de identificação e investigação no Estado.

Atualmente, o Paraná possui mais de 700 amostras de familiares de pessoas desaparecidas cadastradas no CODIS, além de 501 perfis genéticos cadavéricos destinados a casos de identificação.

Ao longo desse período, 25 pessoas desaparecidas já foram identificadas no Paraná por meio de DNA. Considerando os demais tipos de cruzamentos realizados pelos bancos, o número de matches gerais chega a 473, além de 162 coincidências entre vestígios de condenados.

Como participar

Familiares que ainda desejam fornecer material genético podem procurar uma unidade da Polícia Científica para receber orientações sobre o procedimento. Quando não for possível comparecer pessoalmente a um dos pontos de coleta, a recomendação é entrar em contato com o posto mais próximo para que a equipe avalie a melhor maneira de viabilizar o atendimento.

No dia da coleta, é importante levar documento de identidade e as informações do Boletim de Ocorrência relacionado ao desaparecimento, como número do registro, estado e delegacia responsável.

Caso estejam disponíveis, também podem ser apresentados objetos pessoais da pessoa desaparecida que possam conter material genético, como escova de dentes, dente de leite ou cordão umbilical. Esses materiais podem auxiliar no processo de identificação.

A participação dos familiares amplia as possibilidades de cruzamento de informações e pode ser decisiva não apenas para devolver uma identidade a uma pessoa desaparecida, mas também para conectar diferentes investigações e contribuir para a elucidação de crimes.

Fonte: Da redação

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