A chegada do primeiro Curso de Qualificação Profissional em Doula do Senac a Paranavaí acompanha uma mudança na maneira como muitas mulheres e famílias têm buscado vivenciar a gestação e o nascimento, com mais informação, participação nas decisões, acolhimento e respeito às diferentes experiências de parto.
Com 160 horas de formação, o curso prepara profissionais para atuar no suporte físico, emocional e informativo à mulher durante a gestação, o trabalho de parto, o nascimento e o período pós-parto. A proposta é formar doulas capazes de oferecer presença e orientação, sempre de maneira complementar à assistência prestada pelos profissionais de saúde.
Segundo Viviane Reis de Almeida Oliveira, gerente executiva do Senac Paranavaí, a criação da turma surgiu justamente da percepção de uma demanda por profissionais qualificados para integrar essa rede de apoio em Paranavaí e região. “Percebe-se uma transformação na maneira como as famílias buscam vivenciar esse período, com maior interesse por informação, acolhimento, participação nas decisões e respeito às diferentes experiências de nascimento”, explica.
Uma profissão voltada ao suporte – Embora a profissão ainda seja desconhecida por parte da população, o trabalho da doula tem uma função específica dentro da assistência à gestante. Ela acompanha a mulher oferecendo escuta, acolhimento, informação e suporte contínuo, ajudando-a a se preparar para os diferentes momentos da gestação e do nascimento.
Durante o trabalho de parto, por exemplo, a doula pode auxiliar na busca por posições mais confortáveis, utilizar técnicas de conforto e medidas não farmacológicas, oferecer apoio emocional e contribuir para um ambiente mais tranquilo.
Esse trabalho, no entanto, tem limites bem definidos. A doula não realiza procedimentos clínicos e não substitui médicos, enfermeiros, obstetrizes ou outros profissionais habilitados. Sua atuação é complementar e acontece em articulação com a equipe responsável pela assistência à saúde da mulher e do bebê.
“A doula oferece presença, informação e suporte, valorizando a autonomia, a individualidade e o protagonismo da mulher”, afirma Viviane.
Mais informação e autonomia para as mulheres – A procura por uma experiência mais humanizada de gestação e parto também está relacionada ao maior acesso à informação. Hoje, muitas famílias chegam aos serviços de saúde com mais perguntas, expectativas e conhecimento sobre as possibilidades existentes.
Nesse cenário, a doula pode funcionar como uma profissional de suporte, ajudando a mulher a compreender melhor cada etapa e a se sentir mais preparada para participar das decisões relacionadas ao próprio cuidado.
Para Viviane, essa transformação social ajuda a explicar por que a formação ganha espaço justamente agora. “As mulheres e suas famílias estão cada vez mais interessadas em compreender a gestação, o parto e o pós-parto, conhecer seus direitos, participar das decisões e vivenciar esse processo de maneira mais consciente e respeitosa”, observa.
A proposta do acompanhamento não é determinar como deve ser o nascimento, mas oferecer condições para que a mulher tenha informação e suporte para viver sua experiência de maneira individualizada.
Uma nova possibilidade profissional – Depois da formação, a doula pode atuar de forma autônoma, acompanhando gestantes e famílias de acordo com suas competências e limites profissionais. Também pode estabelecer parcerias e trabalhar de maneira articulada com profissionais e serviços ligados à saúde materno-infantil.
Para Paranavaí e região, a formação abre um novo campo de qualificação profissional relacionado ao cuidado materno-infantil, ao mesmo tempo em que amplia a rede de apoio disponível às gestantes.
A expectativa do Senac é que a primeira turma contribua também para aumentar o reconhecimento da profissão e fortalecer o diálogo entre doulas e os demais profissionais envolvidos na assistência.
“Esperamos que essa primeira turma represente um marco para a formação profissional na área da saúde materno-infantil na região”, afirma Viviane. “Queremos que esses profissionais estejam preparados para levar para sua atuação uma cultura de acolhimento, respeito, informação e cuidado humanizado às mulheres e suas famílias.”



