A palavra sai de forma tímida, quase como um sussurro, mas é suficiente para descrever como a menina se sente. Feliz. Nicole tem 6 anos. Ela e a família deixaram a cidade onde moravam, El Dorado, na Argentina, e se mudaram para Paranavaí.
Os pais a matricularam na Escola Municipal Dr. José Vaz de Carvalho, no Distrito de Sumaré, e em abril deste ano ela foi integrada a uma turma da educação infantil, com crianças de 5 e 6 anos de idade.
Apesar da acolhida calorosa, a diferença de idiomas se transformou em uma barreira para a aproximação de Nicole com os coleguinhas. Ela falava espanhol, eles, português.
A pequena argentina se sentia isolada, por vezes, chorava, e foi então que a professora Simone Aparecida Brito teve uma ideia: criou o projeto Palavras que Aproximam, e passou a integrar palavras em espanhol às lições do dia a dia.
A ideia era simples, garantir que os alunos mantivessem a comunicação ativa com Nicole, para que se sentisse parte do grupo.
A proposta inicial ganhou corpo, e a diretora Sirley Pistor de Souza Sbais entrou em contato com o proprietário de uma escola de idiomas de Paranavaí, que abriu as portas para receber as crianças.

Foto: Escola Dr. José Vaz de Carvalho
Durante a visita, os pequenos passearam por diferentes países de língua hispânica – Argentina, Peru, México e Espanha. Conheceram elementos da cultura e da gastronomia, aprenderam novas palavras e se aproximaram da história de Nicole.
A experiência foi maravilhosa. Laura, de 6 anos, gostou muito das bandeiras da Argentina e da Espanha e ficou interessada em aprender mais sobre o vocabulário estrangeiro.
Vitória, de 5 anos, amou a visita à escola de idiomas e conhecer mais sobre outros países. Uma expressão ficou marcada na memória da menina: o que os brasileiros conhecem como “fila”, aquela em que as pessoas ficam alinhadas uma atrás da outra, em espanhol se chama “cola”. Ela achou a variação divertida.
A diferença de conceitos também chamou a atenção de Luiz, de 6 anos, que se sentiu motivado e quer falar espanhol, principalmente porque acha importante conversar com Nicole. “Fiquei muito feliz de ser amigo dela.”
Para Nicole, receber esse carinho fez toda a diferença. O repórter arrisca algumas perguntas no enferrujado espanhol. Ela responde baixinho. Está feliz com a acolhida, sente-se amada e animada para ir à escola. Tudo isso, confirma a menina, torna aprender português muito mais fácil.
Ensinar e transformar – A Escola Municipal Dr. José Vaz de Carvalho desenvolve uma série de projetos que integram professores, alunos e comunidade. Palavras que Aproximam é mais uma prova de que o intuito é ensinar não só o conteúdo pedagógico, como também valores para a vida.
Na avaliação da diretora Sirley Sbais, o projeto mostra que “a gente não aprende só pelas palavras, a gente aprende pelo respeito, pela empatia”. “A criança tem que pertencer à sala de aula, tem que se sentir a colhida, tem que ter voz. E os amiguinhos mostraram isso para a Nicole. Foi muito bacana, deu supercerto.”
A professora Simone Brito acrescenta: “É um dos campos que a gente tem que trabalhar na educação infantil, a interação entre eles. E, dessa forma, a gente faz com que eles aprendam outras culturas também, é uma forma de desenvolver”.
Os resultados superaram as expectativas. Nicole está aprendendo português muito bem, pontuou a professora, e já se sente parte da turma. Em alguns momentos, a menina parece tão à vontade, que, digamos, extrapola um pouquinho nas conversas, mas tudo bem, o importante é que já não se sente mais isolada, ao contrário, faz parte da comunidade.

Semeando Leitores – O Diário do Noroeste acredita no poder transformador da educação. Exemplos como o da Escola Municipal Dr. José Vaz de Carvalho reforçam a convicção de que apostar em projetos de incentivo aos estudos é o caminho para construir um futuro melhor.
Por isso mesmo, o DN criou o projeto Semeando Leitores, que propõe aos alunos dos quintos anos da rede municipal de ensino de Paranavaí um concurso de redação, baseado em leitura, pesquisa e aprofundamento nas técnicas de escrita.
Na primeira edição, em 2023, os estudantes produziram textos respondendo à pergunta: “O que é Natal para você?”. No ano seguinte, o desafio foi escrever uma carta ao prefeito eleito, seguindo o tema “A cidade dos meus sonhos”. Em 2025, para celebrar os 70 anos de jornalismo do Diário do Noroeste, a missão foi elaborar uma notícia. Assim, cada participante se transformou em jornalista mirim.
Agora, em 2026, o tema é “O meu Brasil do amanhã” e o objetivo é colocar no papel ideias que possam contribuir com a transformação do Brasil em um país melhor. O gênero textual é livre.














